Uma ordem de serviço da Polícia Militar de Campinas divulgada recentemente causou polêmica pelo conteúdo supostamente racista. Após assaltos no bairro Taquaral, área nobre da cidade, a corporação emitiu ordem para que os policiais fizessem abordagens a “especialmente indivíduos de cor parda e negra aparentemente com idades entre 18 e 25 anos”.
A ordem do capitão Ubiratan Beneducci, foi feita com base em uma carta enviada por moradores do bairro assustados com assaltos na área, e estabelecia que as abordagens deveriam ser feitas em grupos de três a cinco indivíduos a pé e em veículos em atitude suspeita e em quatro ruas do bairro no período entre 11h e 14h.
Segundo o Comandante de Policiamento do Interior 2, o Coronel Carlos de Carvalho, pode ter havido equívoco na maneira como a determinação foi escrita, mas não houve racismo. Ainda de acordo com o Coronel, a descrição dos suspeitos é comum e necessária para que o policiamento aconteça com eficácia.
Em nota, a Polícia Militar disse que a ordem teve intenção de “reforçar o policiamento com vistas a um grupo de criminosos, com características específicas, que por acaso era formado por negros e pardos”. Ainda de acordo com o comunicado, a PM “lamenta que um grupo historicamente discriminado pela sociedade seja usado para fazer sensacionalismo” e que “discriminação e racismo é o fato de explorar essa situação de maneira irresponsável e fora de contextualização”.
A corporação informou ainda que dois homens com as características descritas acabaram presos por praticar crimes na área e que inicialmente não pretende punir o autor da mensagem ou abrir uma sindicância.