O Ministério Público de Contas do estado de São Paulo vai apurar o reajuste no valor da tarifa do transporte coletivo em Campinas, aplicado em dezembro do ano passado. Na ocasião o valor passou de R$ 3,00 para R$ 3,30, a tarifa mais cara do Brasil. Na época, a Transurc protocolou na EMDEC um pedido para reajustar a passagem para R$ 3,80, alegando que as empresas estavam registrando um déficit de 3,9 milhões por mês e o subsidio de 28 milhões de reais concedido pela prefeitura está congelado.
O pedido de investigação no Ministério Público foi feito pelo vereador Paulo Búfalo, baseado no fato de que foi concedido às empresas que operam o transporte coletivo um reajuste de 10%, acima da média anual da inflação, que foi de 5,84%. O parlamentar alega ainda que entre os anos de 2006 e 2011, o repasse do subsidio concedido pela prefeitura às empresas foi feito pela secretaria municipal de assistência social, que não pertence ao setor de transportes e por isso fere a lei orgânica do município. Neste período, o valor do repasse chegou a R$ 152 milhões de reais. Além disso, o subsídio concedido à Transurc subiu de R$ 28 para R$ 40 milhões por ano. De acordo com o vereador Paulo Bufalo, seria necessário realizar uma auditoria nas contas das empresas, para verificar se os reajustes foram justos. Segundo Paulo Bufalo, o repasse dos R$ 152 milhões feito entre os anos de 2006 e 2011 e mais os R$ 40 milhões deste ano, devem ser devolvidos aos cofres públicos, porque foi irregular.
A EMDEC informou através de nota que respeita os questionamentos feitos pela câmara municipal de Campinas. A empresa lembrou que o reajuste na tarifa foi definido e aplicado em dezembro do ano passado, pela administração anterior. A diretoria da EMDEC vai aguardar o comunicado do Ministério Público para se pronunciar sobre o caso.