Os ex-funcionários da Shell/Basf decidiram por unanimidade aceitar o acordo feito no Tribunal Superior do Trabalho (TST) depois de 12 anos de negociações entre as partes. Durante assembleia realizada nesta sexta-feira (08/03) em Campinas foi aprovada a proposta que prevê uma indenização de aproximadamente R$ 180 mil para cada um dos 1.068 envolvidos no processo contra as indústrias.
Além do valor estimado em R$ 170 milhões por danos morais individuais e da determinação para que as empresas providenciem tratamento médico-hospitalar vitalício aos ex-trabalhadores, o acordo também estabelece o pagamento por danos coletivos estipulados em R$ 200 milhões. Deste total, R$ 50 milhões serão usados para a construção de uma maternidade em Paulínia e o restante pagos em parcelas, com metade delas destinadas ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador.
Segundo o diretor do Sindicato regional dos Químicos Unificados, Arlei Medeiros, o TST em Brasília será avisado sobre a aprovação e o acordo será firmado se Shell e Basf também se posicionarem a favor. Sem o aval das indústrias, porém, o caso deve ir a julgamento, algo que o diretor do sindicato busca evitar.
Além das 62 mortes em consequência de doenças causadas pela contaminação, vários ex-funcionários seguem em tratamento devido às substâncias a que foram expostos quando trabalhavam na fábrica de pesticidas em Paulínia. É o caso de Ricardo Mendes que trabalhou de 1986 até o final das atividades da fábrica nos anos 2 mil, quando passou a desenvolver problemas renais. Já Osvaldo Oreti, conta que trabalhou na empresa por 24 anos e desde então passou a sentir cansaço, dores e formigamento por todo o corpo. Ainda de acordo com os ex-trabalhadores, o acordo proposto foi aceito sem restrições porque prevê tratamento vitalício para as famílias envolvidas.
O processo que chegou até a última instância da Justiça, existe no Sindicato dos Químicos há mais de 15 anos e o Ministério Público do Trabalho entrou no caso em 2007. Ao todo, quatro audiências foram realizadas no TST antes do acordo oferecido. Outras 76 pessoas que estão com ações individuais ainda podem pleitear os benefícios em outros processos ou desistir e aderir ao acordo firmado pela maioria.