Com aumento de 30% nos casos de estupro entre 2011 e 2012, período no qual os números subiram de 232 para 300, Campinas conta com um hospital especializado no tratamento deste tipo de crime, o Caism da Unicamp. Porém, não possui um juizado especializado para os processos de violência contra a mulher, já que hoje essas ocorrências são concentradas no Núcleo Especial Criminal juntamente com outros tipos de crimes.
Com isso, foi aprovado na Câmara de Vereadores da cidade um pedido junto ao governo do estado para a implantação do Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar. Para o autor da proposta, o vereador Carlão do PT, a ideia é fazer com que o Tribunal de Justiça entenda a necessidade do município, já que a medida ajudaria no andamento dos processos. Apesar do grande número de casos de violência sexual dentro dos círculos social e familiar das vítimas, dados de uma pesquisa realizada com 687 mulheres atendidas pelo Caism mostram que 70% dos crimes foram cometidos por pessoas desconhecidas.
Ainda de acordo com a autora do levantamento, a psiquiatra e supervisora do ambulatório especial do hospital, Cláudia Oliveira Facuri, quase metade das vítimas tem idade igual ou inferior a 19 anos. O índice, segundo ela, alerta para a importância da assistência às pacientes durante o tratamento após o trauma. Ainda conforme os números da pesquisa, cerca de 65% das vítimas procuraram atendimento no Caism nas primeiras 24 horas após os crimes, resultado apontado como o ideal para a prevenção de doenças.