Dois secretários municipais de Vinhedo estiveram na Câmara Municipal participando de uma audiência para esclarecer as dúvidas sobre o processo de licitação da merenda escolar. No último dia 22, o Ministério Público de Vinhedo informou que encontrou indícios de formação de cartel e superfaturamento no contrato entre a prefeitura da cidade e a empresa que fornece a merenda escolar nas escolas municipais. Segundo a investigação, as irregularidades aconteceram desde o início, quando a administração contratou por meio de pregão presencial a empresa Cecapa, para fornecer cortes de frango congelados e outros produtos. Além das irregularidades na licitação, o Ministério Público identificou também que o preço cobrado pelos produtos chegam a ser até três vezes o valor cobrado em supermercados ou em outras cidades que mantém contratos semelhantes. Através do contrato, a prefeitura paga cerca de R$ 21,00 pelo quilo de frango. Em Campinas, esse valor gira em torno de R$ 7,00. De acordo com a nutricionista da prefeitura de Vinhedo, Fabiana Pellegrini, os preços pagos pela administração não são superfaturados, já que outros fatores também devem ser levados em consideração. Segundo ela, os produtos comprados pela prefeitura têm selo de procedência, selo de controle de qualidade e frete incluído nas 41 unidades escolares abastecidas pelo município.
A câmara recebeu bem as explicações dadas pelo município em relação ao preço dos produtos. O problema está relacionado à licitação que contratou a empresa Cecapa, que segundo o Ministério Público, tem fortes indícios de fraude e de cartelização. Um pedido de CPI foi feito na Câmara Municipal, mas apenas quatro dos 16 parlamentares da casa votaram favoráveis. Um deles, o vereador Edu Gelmi, que solicitou a audiência, afirmou que mesmo sem a CPI, o legislativo municipal vai investigar o contrato. Os secretários de administração, José Pedro Cahum e o de educação, Jaime Cruz, deixaram a Câmara sem gravar entrevistas. Os outros três vereadores favoráveis a CPI, Valdir Barreto, Rodrigo Paixão e Marta Leão, autora da denúncia no Ministério Público, não participaram da audiência. Através de carta, eles informaram que não participariam do encontro por entender que a base do governo na Câmara tinha como objetivo blindar o poder executivo.