Com uma morte e 66 feridos em acidentes no período de cinco meses, o transporte coletivo de Campinas enfrenta dificuldades na contratação e reposição de motoristas de ônibus. O último registro, que deixou 11 pessoas feridas sem gravidade, foi nesta quinta-feira (26/12), depois que um ônibus e um micro-ônibus colidiram na avenida Campos Salles, no centro da cidade.
O problema, segundo o especialista em segurança no trânsito, José Almeida Sobrinho, é que a escassez de profissionais reflete no treinamento realizado pelas empresas. Para ele, a pressa na formação faz com que os trabalhadores não tenham o preparo adequado. Ainda de acordo com Sobrinho, a causa dos acidentes não é só a imperícia, mas também a pressão cotidiana na qual os motoristas estão envolvidos. O ideal, segundo o especialista, seria um processo mais intenso de reciclagem e requalificação.
A dificuldade na reposição de motoristas foi confirmada pelo diretor de comunicação da Transurc, Paulo Barddal, após uma paralisação no início de dezembro que afetou cerca de 50 mil usuários. Procurado para comentar as afirmações de José Almeida Sobrinho, no entanto, o representante das empresas concessionárias não respondeu às ligações. Já a Emdec, responsável pelo trânsito, informou por meio de nota “que a contratação dos motoristas e capacitação fica por conta das empresas e cooperativas” e que a “formação é responsabilidade das CFCs ou auto-escolas”.
Além do acidente desta quinta-feira, outras duas ocorrências graves com ônibus foram registradas em Campinas este ano: uma em setembro na Lix da Cunha, quando 33 pessoas ficaram feridas, e outra em julho, quando um ônibus articulado despencou do Viaduto Miguel Vicente Cury, matando uma pessoa e ferindo outras vinte e duas.