Desde 2008, o setor sucroalcooleiro brasileiro enfrenta uma grave crise provocada por problemas climáticos, tributos elevados e baixos investimentos em novas unidades de produção. Na região, o cenário gera preocupação. O maior exemplo é apresentado pela Dedini, em Piracicaba. A empresa, que é líder mundial no setor, atravessa uma grande crise financeira, responsável pelo atraso no pagamento a cerca de 2 mil trabalhadores. Com investimentos cada vez mais escassos, a produção vem diminuído e afetando diretamente empresas de outro setor, como as metalúrgicas. De acordo com o presidente do sindicato Patronal da Indústria de Piracicaba e Região, Euclides Libardi, as metalúrgicas estão passando por dificuldades, principalmente aquelas que dependem diretamente das usinas.
Há alguns anos, o governo brasileiro incentivou a produção de etanol, o que foi responsável pelo surgimento de várias usinas na região de Piracicaba. Mas a partir de 2008, os investimentos diminuíram e o combustível deixou de ser competitivo em quase todos os estados brasileiros. O presidente do sindicato dos metalúrgicos de Piracicaba, José Luis Ribeiro, lamentou a falta de interesse do governo no setor. O representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar em Ribeirão Preto, Sérgio Prado, atualmente no Brasil, o preço da gasolina está fora das regras de mercado, já que recebe subsídios do governo federal. Segundo ele, isso provocou uma baixa no consumo de etanol e afetou diretamente o setor sucroalcooleiro.
Entre janeiro e novembro de 2013, a indústria da região de Piracicaba teve um aumento de quase 2% no saldo de vagas com carteiras assinadas. O número é considerado baixo, já que o resultado positivo se deu por causa do setor automotivo. No setor sucroalcooleiro, houve mais demissões do que contratações. Segundo informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, nos últimos anos, a Dedini reduziu seu quadro de funcionários de 5 mil para 2 mil. A reportagem entrou em contato com a empresa para comentar a crise financeira, mas não obteve retorno.