O governo Federal não vai liberar a verba de R$ 4 milhões pedida por Campinas para a restauração do Mercado Municipal. O projeto, desenvolvido pela prefeitura municipal, previa a melhoria nas condições de infraestrutura do prédio, que foi construído em 1908. Segundo a Setec, responsável pela administração do local, o munícipio não recebeu uma justificativa do Governo Federal, mas o presidente da autarquia, Sebastião dos Santos, acredita que o projeto possa ter entrado numa contenção de verbas da União, que anunciou cortes no orçamento deste ano. A área total do Mercadão é de 7.720 m², sendo 3.110 m² de área construída, mais estacionamento e 143 boxes para venda de produtos.
Os comerciantes, que trabalham há décadas no mercadão, lamentaram que mais uma vez a reforma do local foi adiada. Roberto Germiniani, que atua no local há 35 anos, afirmou que está desapontado com o governo, que prefere investir dinheiro na reforma dos estádios de futebol de Campinas, que vão receber seleções por um período de cerca de um mês. Segundo ele, este dinheiro poderia ser investido no Mercado Municipal, que é um patrimônio de Campinas. Há 18 anos no Mercadão, Manoel Zamonari, se sente frustrado com a falta de investimento num local, que foi apontado como uma das sete maravilhas de Campinas. Ele afirma que não sabe como fazer para pressionar o governo a liberar o recurso. Mais novo no Mercadão, o comerciante Djalma da Rocha atua no local há apenas três anos. De qualquer forma ele critica a falta de investimento do governo e também a falta de transparência na elaboração do projeto, que não contou com a participação dos comerciantes. O presidente da Setec, Sebastião dos Santos, afirma que a negativa do Governo Federal em liberar o recurso não significa o fim da reforma. Ele garante que o município vai continuar as investidas junto ao governo federal, através do Ministério da Cultura. Mesmo sem a reforma, ele informa que a estrutura oferecida aos comerciantes hoje é boa.
O prédio do Mercado Municipal de Campinas foi tombado pelo Condepacc como patrimônio histórico e cultural da cidade em novembro de 1982.