As empresas que teriam sido extorquidas pelo grupo investigado pelo Ministério Público teriam ligações com órgãos do governo. As prefeituras de Monte Mor e Jaguariúna já confirmaram que foram vítimas das ameaças. O principal suspeito da prática é o advogado Fabiano Panattoni, que chegou a ser preso durante operação do MP, no início deste mês. Além dele, outros dois advogados são investigados pelo crime.
Pelas denúncias, o grupo usaria documentos falsos sobre supostas investigações e cobraria dinheiro para não dar continuidade aos processos. Panattoni é marido de uma ex-promotora e na ação usaria o nome do MP .
Após a denúncia das prefeituras, advogados de empresários procuraram a Ordem dos Advogados de Campinas relatando que as empresas passaram por situações semelhantes. Estas empresas, inclusive, segundo o presidente da OAB da cidade, Daniel Blikstein, teriam vínculos com órgãos públicos. Em um dos casos relatados à Ordem, a vítima chegou a se encontrar com Panattoni na Cidade Judiciária. A suspeita da própria OAB é de que a ida à Cidade Judiciária seria uma forma de o grupo dar maior veracidade às supostas denúncias.
Diante das investigações que envolvem Panattoni e outros dois advogados, Blikstein, fala em desgaste da imagem da advocacia. E também comenta as providências diante do caso: a instauração de um processo disciplinar.
A reportagem apurou que além destas empresas e das prefeituras que confirmaram as tentativas de extorsão, órgãos públicos e políticos de outras cidades da região também teriam sido vítimas do grupo. O ex-prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra, é um dos que denunciou a prática.