A falta de médicos é responsável por um déficit de 278 horas semanais de plantão no Pronto Atendimento do Campo Grande. O dado foi constatado em uma vistoria realizada nesta quarta-feira pelo sindicato dos médicos de Campinas e região na unidade de saúde. Para manter o atendimento adequado a população no PA, seria necessário manter plantões que somassem 672 horas por semana, entre clínica geral e pediatria. Atualmente, a unidade consegue manter 384 horas.
Para chegar ao número de horas ideal, seria preciso a contratação de 15 clínicos gerais e cinco pediatras. Além disso, faltam ainda oito enfermeiros, 39 técnicos de enfermagem, sete recepcionistas e três agentes administrativos. O presidente do sindicato dos médicos de Campinas e região, Casemiro Reis, afirma que o problema da falta de profissionais na rede pública de saúde atinge quase todo o município. Segundo ele, a prefeitura não oferece salários compatíveis com o mercado, e os médicos optam por buscar trabalho em outras cidades. Na vistoria, o sindicato também identificou problemas na farmácia do PA e nos procedimentos de raio-X. O equipamento para exames de imagens está com uso limitado, por causa de problemas técnicos. Segundo Casemiro dos Reis, a ausência do equipamento obriga os pacientes a realizarem o exame no hospital Celso Pierro.
A secretaria de saúde informou que reconhece os problemas e que as providências necessárias para a adequação do número de médicos no PA Campo Grande já estão sendo tomadas. Entre elas está o programa Doutor de Plantão, anunciado pelo executivo no início do mês. A iniciativa vai permitir que médicos que trabalham na rede municipal de saúde recebam o valor integral por plantões nas unidades de urgência e emergência de Campinas. Atualmente o programa conta com 17 médicos inscritos. Além disso, a prefeitura deve abrir um concurso público para a contratação de médicos ainda no primeiro semestre deste ano.