O Ministério Público Federal e do estado de São Paulo entraram com ação civil pública para estabelecer restrições e limites ao direito de usos pela Sabesp das águas do Sistema Cantareira. Além disso, o órgão pede a imediata exclusão Companhia de Saneamento da função de gestão do sistema e também o veto a qualquer participação direta da empresa nas decisões da administração e das medidas de restrição. Essas funções, segundo o MP, deverão ser de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e do Departamento de Águas e Energia Elétrica do estado, com a participação dos Comitês de Bacias do PCJ e do Alto Tietê. Na ação, o Ministério Público informa que enquanto não for imposto um limite final máximo de utilização das águas disponíveis no Cantareira, a Sabesp vai continuar com o avanço da captação por bombeamento até o possível esgotamento dos reservatórios.
O Professor e diretor do Departamento de Hidrologia da Faculdade de Engenharia da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, afirma que a preocupação do MP é justificável porque não há garantias de que o período de chuvas, que começa neste mês, será suficiente para amenizar a falta de água no estado. Segundo ele, se nada for feito neste momento, é possível que o ano que vem seja mais complicado do que está sendo 2014.
O reservatório do rio Atibainha é o mais vazio do Cantareira e está praticamente seco. O volume morto do sistema só deve durar até a segunda quinzena de novembro. Para manter o abastecimento, já estão prontas as tubulações que vão captar mais 106 bilhões de litros da segunda parte da reserva. Os representantes do Ministério Público Federal e Estadual vão conceder uma entrevista coletiva para detalhar a ação, na manhã desta quarta-feira, em Piracicaba.