O Ministério Público do Trabalho destinou R$ 96 milhões para cinco entidades que apresentaram projetos que priorizam a pesquisa científica e que atuam no tratamento por contaminação química. O valor faz parte de um total de R$ 200 milhões pagos em indenização pelas empresas Shell e Basf, no caso de contaminação em Paulínia. O Hospital do Câncer de Barretos recebeu a maior parte do repasse: quase R$ 70 milhões. A proposta prevê a pesquisa, prevenção, tratamento e educação de oncologia, com quatro unidades móveis que vão circular pela periferia de Campinas. Além disso, será construído um hospital no município, que vai oferecer exames como mamografia digital e Papanicolau, além de tratamento da doença. De acordo com o CEO do Hospital do Câncer de Barretos, Henrique Prata, o início das obras depende ainda da prefeitura de Campinas ceder um terreno. Segundo ele, o projeto prevê que o hospital fique pronto em dois anos.
O Centro Boldrini de Campinas também teve o projeto aprovado e recebeu uma quantia de quase R$ 20 milhões para a realização de estudo epidemiológico que investigará o impacto do meio ambiente na incidência do câncer da criança e do adolescente. De acordo com a presidente do Centro Boldrini, Sílvia Brandalise, a verba será utilizada na confecção de questionários, que acompanharão a criança, desde o período de sua gestação, até completar 18 anos, comparando os casos de câncer que surgirem neste período com o ambiente em que elas vivem. Ela afirma que essa pesquisa deverá atingir cerca de um milhão de pessoas.
A Fiocruz de Pernambuco recebe R$ 1,5 milhão para mapear a situação do trabalhador que faz uso de agrotóxicos. A Fiocruz do Rio de Janeiro recebe R$ 3,6 milhões desenvolverá a mesma pesquisa do RJ. E a Universidade Federal da Bahia/Fundacentro recebe R$ 1,5 milhão para mapear a exposição à produção de amianto. Os valores devem ser repassados às entidades nos próximos dias.