Mausoléus de Campinas são os primeiros do Brasil em homenagem a lutas trabalhistas

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Valéria Hein

Dois mausoléus localizados no Cemitério da Saudade marcam um fato histórico para Campinas. Eles representam os primeiros monumentos erguidos no Brasil em homenagem a trabalhadores que perderam suas vidas em lutas por causas trabalhistas. Eles estão na quadra 32, sepulturas de números 40 e 41 e são de Antônio Rodrigues Magotto e Tito Ferreira de Carvalho, que morreram em Julho de 1917, no auge da primeira greve geral de trabalhadores no Brasil.

Eles foram assassinados por soldados da Força Pública de Campinas, num local conhecido como a Porteira do Capivara – uma passagem de nível trem na confluência da avenida João Jorge com rua Visconde do Rio Branco. O objetivo dos manifestantes era impedir a passagem de um trem que levava o trabalhador, Ângelo Soave, um dos líderes do movimento, que estava sendo conduzido por policiais à prisão.

O presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, Fernando Antônio Abrahão, conta que a ação foi violentamente reprimida pelos policiais, resultando na morte de três operários e outros 16 feridos. A Imprensa noticiou a ocorrência na época e o Jornalista Álvaro Ribeiro descreveu ainda o fato no livro de sua autoria chamado “Falsa Democracia”. De acordo com Fernando, a revolta dos trabalhadores foi por causa de uma reivindicação de aumento salarial.

Fernando evidencia o fato dos mausoléus terem sido confeccionados com recursos de uma Comissão de Operários, se tornando símbolo da luta do proletariado local por conquistas trabalhistas e conscientização da  exploração. Eles completam 100 anos no dia 16 de julho e foram projetados e construídos pelo artesão Antônio Coluccini, da Marmoraria Campineira.

Para marcar a data, o Jornalista Odair Alonso, vice-presidente Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, convida a população da cidade para participar de uma homenagem programada para esse domingo, no cemitério da Saudade. Há dois anos, o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas entrou com um pedido de tombamento dos dois mausoléus no Condepacc.

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