Há pelo menos 20 anos, as empresas da Região Metropolitana de Campinas importam mais produtos do que exportam, segundo um estudo desenvolvido pelo Observatório da PUC-Campinas. Esse desequilíbrio na balança comercial causa um impacto negativo na geração de emprego e renda da RMC. Segundo o levantamento, atualmente mais da metade dos importadores da região, pouco mais de 01 mil empresas, não realizam vendas no exterior. Esse número equivale a 55,8% do total de 1.814 empresas que operam no comércio internacional, seja importando, exportando ou atuando nestas atividades simultaneamente.
Além do agravamento à balança comercial, a RMC acumula déficits comerciais há mais de duas décadas. Um ponto que preocupa é o alto número de importadores de produtos acabados. No setor de comércio e reparação de veículos automotores, por exemplo, 661 empresas operam majoritariamente na importação de bens acabados. E isso reflete prioritariamente da geração de empregos na região. Para o economista e professor do Observatório da PUC-Campinas, Paulo Oliveira, quando há a importação de insumos, as empresas da região favorecem a geração de emprego nos países de origem dos produtos. E ele explica que a consequência para o Brasil é a redução da oferta de trabalho e um impacto grande na economia nacional.
Nesta sexta-feira, o Mercosul e a União Europeia fecharam um acordo histórico, que vinha sendo negociado há mais de 20 anos. A expectativa é de que as exportações brasileiras sejam ampliadas, principalmente no que se refere aos produtos agrícolas. Em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro disse que esse será um dos acordos comerciais mais importantes de todos os tempos e trará benefícios enormes para a economia brasileira. Porém o professor Paulo Oliveira é mais comedido ao afirmar que ainda não é possível fazer uma avaliação se o tratado será bom ou não para o país, mas o fato é que a política externa adotada pelo governo nas questões comerciais geram insegurança e dúvidas. O economista alerta para o risco da unificação das tarifas de importação, que favoreceria a busca por produtos no exterior, enfraquecendo a produção nacional.
Ainda segundo o estudo do Observatório da PUC-Campinas, entre as cidades com maior número de operadores no comércio exterior, considerando todos os setores de atividade, destacam-se Campinas, Indaiatuba e Vinhedo, que equivalem a 48,4% do total de exportadores e 51,6% dos importadores regionais. Com exceção de Santo Antônio de Posse e Morungaba, todas as cidades que compõem a RMC abrigam empresas cujo volume de importações supera o de exportações.