Sem ter para onde ir, moradores da ocupação Marielle Vive estão preocupados com reintegração de posse

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Depois que a 1ª Vara do Foro de Valinhos determinou a reintegração de posse da ocupação Marielle Vive, os moradores do local estão preocupados por não terem para onde ir. O acampamento reúne cerca de mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que vivem e trabalham no local. Segundo a decisão da juíza Bianca Vasconcelos Coatti, os moradores terão 15 dias úteis para deixar a área, a partir da publicação da decisão no Diário da Justiça Eletrônico do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, que deve ocorrer nesta semana. A área possui mil hectares e fica na Estrada do Jequitibá.

A ocupação teve início em abril do ano passado. Os moradores reclamam que não têm para onde ir e que o poder público nunca ofereceu ajuda às milhares de pessoas que dependem da área para viver. Regina Martins afirma que a sensação de frustração é grande, porque as pessoas não têm ideia do que pode acontecer nos próximos dias. Segundo ela, a única possibilidade é resistir. Elaine Santos mora com a mãe e dois filhos e disse que não sabe o que fazer com a família se tiver que deixar a ocupação. Segundo ela, além de moradia, o acampamento fornece trabalho para as pessoas, através da agricultura familiar. Emocionada, Aparecida Martins Teixeira, conhecida como Dona Cida, disse que tem muito medo de deixar o acampamento e sua horta para trás. A coordenadora nacional do MST, Kelli Mafort, disse que ocupação Marielle Vive não foi notificada da decisão, mas de todo o modo, vai recorrer em todas as instâncias.

Recentemente, o acampamento Marielle Vive teve um de seus integrantes morto durante uma manifestação. Em julho, eles protestavam por acesso a serviços essenciais oferecidos pela Prefeitura de Valinhos quando um homem avançou com uma caminhonete, atropelando algumas pessoas. Entre elas estava Luiz Ferreira da Costa, de 72, que não resistiu e morreu. Na última semana, a Justiça aceitou a denúncia contra o motorista, identificado como Leo Luiz Ribeiro, que foi acusado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e por tentativa de homicídio contra outras 200 pessoas que estavam na manifestação.

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