César Urnhani: A CNH deveria ser tão difícil de tirar quanto um brevê

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Arte: Victória Grimaldi

Entrevista: Leandro Las Casas e Henrique Bueno

Texto: Leandro Las Casas e Henrique Bueno

Olhando pelo retrovisor quando indagado sobre a própria trajetória no meio automobilístico, o piloto de testes César Urnhani  escolhe os principais pontos para detalhar o caminho. Desde a função de ajudante em uma oficina mecânica aos 13 anos, passando pela vivência do pai como trabalhador da indústria automotiva, e chegando ao contato direto com o setor de pesquisa e desenvolvimento de duas montadoras aos 21, parece fácil explicar a paixão e o interesse que ele nutre e deixa evidente diariamente.

Apresentador do CBN Motor, que vai ao ar todas as manhãs na Rádio CBN Campinas, Urnhani também relaciona a construção da carreira à ligação quase natural do brasileiro com os automóveis. “A relação é diferente. O carro faz parte da família e as pessoas o colocam em um patamar que torna o fato de ter um carro uma inclusão na sociedade”, define.

Só que ele também pondera e afirma que as pessoas costumam assumir o volante como se estivessem usando uma blindagem e indo para a guerra. “Nós nos contaminamos muito fácil com a vibração negativa do outro. Deveríamos contagiar com gentileza. É um exercício para o cérebro”, defende.

CNH, mortes e segurança

Com uma carreira televisiva de 14 anos no AutoEsporte da Rede Globo e com trânsito livre por diversos espaços e ambientes do País como palestrante, César se sente à vontade para falar sobre qualquer tema dentro do assunto e por isso é categórico ao considerar que o processo para se conseguir uma Carteira Nacional de Habilitação deveria ser mais complexo. “É muito fácil tirar uma CNH. É muito raso ainda. Deveria ser muito difícil e tinha que ser igual tirar um brevê de aviação”, opina.

Além disso, não foge da discussão sobre a proposta de ampliação do limite de 20 para 40 pontos na carteira. Na visão dele, a medida não muda muita coisa, porque os hábitos serão mantidos, tanto por aqueles que não costumam receber multas, quanto pelos que acumulam infrações. “Quem não tem pontuação, vai seguir assim. Já quem tem e extrapola, vai tomar multa e perder a carteira do mesmo jeito, porque não respeita as leis e regras”, afirma.

Mantendo o tom crítico, volta a se amparar no exemplo da aviação e diz que o Brasil trata as milhares de mortes no trânsito com normalidade. “Lá em cima [nos aviões] não tem segunda chance. Por isso nós devíamos dirigir como se não houvesse segunda chance”, explica.

Para o piloto de testes, não se trata apenas de ter habilidade para conduzir um carro, mas sim de respeitar as regras, normas, procedimentos e também entender os princípios básicos de manutenção. Ele ilustra o argumento com base nos dados compilados pelos cinco principais sistemas de rodovias do estado de São Paulo entre o Natal e o Ano Novo de 2019.

“Dez mil carros pediram socorro porque o proprietário não dava manutenção. Pneus, falta de combustível, combustível adulterado e pane elétrica estavam entre os quatro principais motivos”, reclama.

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