Especialista pede regras duras contra mortes com motos

Foto: Divulgação / Polícia Militar

Para o professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, Creso Peixoto, a alta de mortes de motociclistas é resultado da maior exposição causada pela expansão do delivery e do fluxo crescente de veículos em 2021. Por esse motivo, pede leis e regras mais duras.

Campinas, por exemplo, teve 14 mortes no trânsito no mês de julho, segundo o último balanço divulgado pelo Infosiga. Destas, oito foram de motociclistas. No acumulado do ano, dos 79 registros fatais em ruas, avenidas e rodovias, 38 foram de condutores de motos, ou 48,1% do total.

Conforme o especialista, como o número de motos e a demanda por entregas aumentaram em 2020 e se mantiveram assim mesmo após o afrouxamento das medidas restritivas, os motociclistas, cada vez mais exigidos para o cumprimento das entregas, continuaram a pilotar como anteriormente.

“A sensação do motociclista é de manter a velocidade das entregas como no ano passado. Mas, com mais veículos, ele vai costurar e se expor mais. E, com os movimentos laterais, que induzem a uma perda de percepção da estabilidade, eles podem cair mais. É quase uma indução à morte”, explica.

Questionado sobre as condições viárias e de sinalização na cidade e na região metropolitana, Creso acredita que o panorama de mogo geral é bom. Mas pede que a fiscalização seja reforçada para evitar abusos. Ele também critica o que considera “liberdades” no Código de Trânsito Brasileiro.

Para ilustrar, cita que os índices de acidentes e mortes entre homens jovens, principalmente após o uso de drogas e bebidas alcoólicas, se mostram predominantes. No Hospital de Clínicas de São Paulo, por exemplo, 20% das vítimas de colisões com motos tinham ingerido as substâncias.

“As liberdades que surgiram no Código de Trânsito Brasileiro são negativas. É claro que muita gente pensa que eu estou defendendo a ‘indústria da multa’. Mas não é isso, não! Quando um radar é colocado em uma via com muitos acidentes, isso minimiza as ocorrências. Isso é favorável”, diz.

Campinas teve o maior percentual de mortes de motociclistas desde o início do Infosiga, em 2015. E os números apontam uma tendência verificada em todo o estado. O território paulista registrou crescimento de 45,5% nos acidentes de trânsito envolvendo motociclistas durante a pandemia.

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