Uma proposta polêmica da sessão desta quarta-feira na Câmara de Campinas foi retirada de pauta depois de muita gritaria e vaias.
O projeto de lei, de autoria de Major Jaime (PP) e Marcelo Silva e Nelson Hossri, do PSD, propõe a necessidade de ‘pré-aprovação’ de material extracurricular, como cartilhas e palestras apresentadas ou distribuídas nas escolas da rede municipal.
O que motivou os autores a apresentarem o projeto foi uma cartilha entregue nas escolas em junho pelo gabinete da vereadora Guida Calixto, do PT. O conteúdo é contra o racismo, mas o que causou a ira de integrantes da Direita foi a frase “fogo nos racistas”, num dos trechos da história em quadrinhos que foi entregue.
Antes mesmo de seguir para votação, as discussões exaltadas começaram na tribuna. Guida Calixto leu uma carta assinada por coletivos de educadores, estudantes, professores, entidades e a Faculdade de Educação da Unicamp manifestando indignação.
Além de considerar censura, o texto diz que a proposta desautoriza e desqualifica os educadores, lhes tratando como incompetentes, além de incentivar a desconfiança entre estudantes e professores. Por isso, pede o arquivamento do projeto.
Marcelo Silva pediu a palavra, alegando que o texto da carta distorce o conteúdo do projeto. Sob vaias, ele mal conseguia falar e pediu que o tempo dele fosse prorrogado, chamando as pessoas da plateia de irresponsáveis. A presidente em exercício da Câmara voltou a pedir respeito ao tempo de fala do vereador e Marcelo Silva voltou a defender a proposta.
O vereador do PCdoB, Gustavo Petta, considerou como censura prévia a proposta, e por isso, inconstitucional. Paolla Miguel, do PT, também manifestou-se contra o projeto, alegando que os autores usam a palavra disciplina como forma de disfarçar a censura.
A votação, que iria ocorrer em primeira discussão, foi adiada após um ‘pedido de vistas’. O adiamento foi solicitado por um dos autores, Major Jaime.