A prefeitura de Campinas destinou apenas R$ 2 mil para trabalho de contenção de enchentes para o ano que vem, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias encaminhada à Câmara de Vereadores, e que vai passar pela votação final nesta quarta-feira.
Não é mentira. Apenas R$ 2 mil, ainda mais depois de tudo que já aconteceu aqui na cidade.
A CBN Campinas consultou o documento, que distribui os R$ 2 mil da seguinte forma: R$ 1 mil para obras e instalações e outros R$ 1 mil para indenizações e restituições.
O vereador Paulo Bufalo, que é presidente da Comissão Especial de Estudos sobre as Enchentes, do Legislativo, disse, em entrevista ao CBN Campinas, que vai propor uma emenda que transfere R$ 40 milhões de outras pastas para a secretaria de Infraestrutura, especificamente para o controle e combate a enchentes.

Sobre as propostas apresentadas pelo governo Dário Saadi no famigerado plano de combate às enchentes, que prevê a criação de sete piscinões, e que só não sai do papel porque não há dinheiro, Bufalo diz que pretende levar a proposta para o governo de transição — ainda que os trabalhos já tenham sido encerrados.
Mas, ele tentou de uma outra forma: por meio das Emendas Impositivas, Bufalo destinou R$ 400 mil para a secretaria de Infraestrutura, para resolver ao menos as enchentes da Rua Culto a Ciência e Delfino Cintra — problemas crônicos da região central.
A propósito, levantamento feito pela reportagem mostra que ele foi o único que deu dinheiro, de fato, específico para combate às enchentes.
Só que apenas isso não basta, na avaliação dele. Ainda comentando sobre os R$ 2 mil destinados pela prefeitura, o presidente da Comissão lembra que o dinheiro não seria nem suficiente para fazer placas para alertar sobre as enchentes.
Enquanto isso, os moradores convivem diariamente com o drama das enchentes. Ainda que, por enquanto, ninguém perdeu a vida. Mas, isso não parece muito longe de acontecer, por mais pessimista que possamos parecer.
A secretaria de Infraestrutura reconhece que o valor foi colocado no Orçamento apenas como “medida administrativa”, e que, com a previsão, o governo pode remanejar recursos dentro da própria pasta, investir dinheiro do superávit ou captar recursos para o plano antienchentes avaliado em R$ 600 milhões.
