A prefeitura de Cabreúva foi informada 15 dias antes da explosão que matou três pessoas e deixou ao menos 12 feridos que a metalúrgica Tex Tarugos não tinha licença ambiental da Cetesb para funcionar, após um relatório enviado pelo órgão ao Executivo.
Em 2021, a administração soube de supostas irregularidades no local. Uma equipe de fiscais esteve na metalúrgica e constatou algumas irregularidades na empresa. No dia 15 de atrássto passado, dois anos após a prefeitura notificar a Cetesb e duas semanas antes da explosão, a companhia negou o licenciamento ambiental e aplicou quatro advertências e duas multas para a metalúrgica.
A prefeitura abriu uma sindicância para apurar se houve falha do setor de fiscalização da prefeitura.
A Cetesb também disse que analisa, junto com a área técnica e a Agência Ambiental de Jundiaí quais novas medidas administrativas serão tomadas contra a empresa.
A Prefeitura de Cabreúva informou que a Tex Tarugos teve o alvará de funcionamento negado no final de 2020 por falta de documentos, e que, por causa da pandemia de covid-19, fiscalizações in loco não poderiam ser realizadas, o que burocratizava um pouco o processo. Ainda de acordo com a prefeitura, uma equipe de fiscalização ambiental visitou a empresa em 2022 e produziu o relatório enviado à Cetesb
A administração também informou que o alvará de funcionamento é emitido de forma online por um sistema específico e que depende da apresentação de diversos documentos de órgãos técnicos externos para que ele seja emitido ou não.
A Polícia Civil vai pedir explicações sobre a falta de alvarás. Nesta terça-feira, a Polícia Científica fez uma nova perícia na metalúrgica. O Ministério Público do Trabalho tinha uma audiência online com os donos da empresa, mas ela não aconteceu porque ninguém compareceu.
Um dos quatro proprietários segue internado, porque também foi ferido na explosão. Outro empresário também estaria em um hospital, mas por outro motivo que não por ferimentos causados pelo acidente.
Na segunda-feira, os advogados da empresa estiveram na delegacia e pediram um prazo maior para que os donos da metalúrgica prestem depoimentos, o que deve ocorrer na semana que vem.
Uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego apura as possíveis causas da explosão, além de possíveis irregularidades em outras empresas da cidade. A hipótese mais provável é alguma reação química no processo de fundição de alumínio.
A análise prévia dos técnicos aponta que nunca houve o registro de uma explosão dessa magnitude nesse tipo de atividade. A força-tarefa também vai buscar informações em outras empresas que fazem serviços semelhantes para entender o processo de fabricação.