O Sebrae fez uma pesquisa que mostra que a maioria dos empreendedores de favelas e periferias de São Paulo tem 39 anos, em média; são negros, de baixa renda, chefes de família e com baixa escolaridade.
A maioria dos empreendedores fizeram até o ensino fundamental e 71% se declararam chefes de família.
Do total de empreendedores, 11% são mães com filhos de até 12 anos. E, o nosso exemplo de hoje, é justamente de uma mãe preta, que teve que buscar alternativas para conseguir sustentar a família.
Quem passa pela Rua Professor Estevam Guedes, no Jardim Fernanda, em Campinas, percebe o quanto é difícil viver em uma região sem estrutura básica. Falta asfalto, a luz e a água às vezes não chegam, e a poeira que sobe dos carros, caminhões e ônibus deixa uma névoa no ar que atrapalha até a visão.
Nesse cenário tão adverso, tem quem veja uma oportunidade de escrever uma história dentro do território onde vive, sem perder jamais o sorriso.
Hoje, o Salão da Nega Ju, ou Juliana Cristina Trindade de Souza, como diz o RG dela, é compartilhado com outros cabeleireiros que dividem os custos básicos — energia, água, aluguel. Só que o espaço dela vai além da estética das tranças. A Nega Ju criou um ambiente que ensina e ajuda as outras mulheres da comunidade.
A Mariana dos Santos Souza é uma dessas alunas. Com apenas 19 anos, ela sabe bem qual o papel está desempenhando no bairro.
E nisso eu conheci a atendente Joseildes Miranda Santos. Ela tinha que sair do bairro toda vez que queria trançar os cabelos. Hoje, é cliente assídua do salão.
Tem muita gente que pensa que viver em uma situação extrema como essa que nós contamos aqui é desestimulante e obriga, necessariamente, que todos deixem o bairro para tentar algo melhor na chamada “região central”. Mas não é bem assim. A assistente social Paola Irineu explica que a oportunidade encontrada dentro da dificuldade acaba sendo uma saída para os empreendedores periféricos.
E é a identidade da periferia que a Nega Ju quer levar, seja onde for.
*Por Wesley Justino