Famílias menores e uma mudança na legislação, que diminuiu a idade mínima e dispensou o aval do cônjuge para o procedimento de laqueaduras podem ser fatores para o aumento da intervenção no SUS – Sistema Único de Saúde, em Campinas. O número cresceu em 73.4% no comparativo com 2022.
Neste ano já foram realizadas 392 laqueaduras na rede pública do município contra 226 em todo o ano passado. O dado é o maior desde 2016.
A Cristiane de Jesus, de 38 anos, é mãe de 6 filhos, entre eles, dois bebês gêmeos. Com mudança na lei desde março desde ano, ela vai realizar o procedimento. E diz que se fosse possível, faria antes.
Segundo o obstetra Carlos Alberto Politano, as recentes mudanças incentivaram a procura. Ainda segundo o médico, o método é seguro.
A laqueadura é o procedimento de esterilização, que interrompe o caminho entre o ovário e o útero com o corte das trompas. A cirurgia impede o contato do óvulo com o espermatozoide e, consequentemente, uma gravidez.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que o aumento do procedimento pode estar associado a mudança da lei, que reduziu para 21 anos a idade mínima de homens e mulheres para a esterilização voluntária e acabou com a exigência do consentimento do cônjuge para realização da laqueadura e vasectomia, e também à demanda represada durante o período mais crítico da pandemia da covid-19, quando toda rede de saúde precisou ser reestruturada.
A pasta destaca ainda que tem trabalhado na oferta de métodos anticoncepcionais de longa duração e reversíveis.