Segundo a Prefeitura, entre 2023 e 2024, o número de casos de descarte de lixo quase dobrou em Campinas. Em 2023, foram mais de 33,2 mil toneladas recolhidas. Já em 2024, 66 mil toneladas, o equivalente a 58 kg para cada habitante da metrópole.
O cálculo considera os terrenos, calçadas, trechos de ruas e outros espaços públicos onde moradores e empresas despejam todo tipo de resíduo, sem qualquer tipo de autorização.
É exatamente o que acontece na esquina da Rua Joaquim Motta com a Avenida Sylvio Moro, na Vila Industrial. O Aparecido até tenta caminhar com os cachorrinhos, diariamente, mas precisa desviar da grande quantidade de entulho.
“Eles jogam muita tranqueira ali no rio. Entulho na beirada. A calçada, o passeio que fizeram para nós andarmos está toda suja de entulho, caco de telha, de poste que trocaram e não limparam”, lamenta.
De acordo com a Prefeitura, a cidade tem 112 áreas identificadas como pontos frequentes de descarte de lixo. São 31 pontos pequenos, 54 médios e 27 grandes.
Grande parte desses materiais corresponde ao entulho de construção civil, que em pequenas quantidades pode ser descartado nos ecopontos. Já os maiores volumes devem ser obrigatoriamente levados à Usina de Reciclagem, na Estrada do Mão Branca.
Mas nem sempre é o que acontece, como lamenta o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella. O titular ressalta que a economia de alguns reais é um gesto egoísta com o meio ambiente.
“Então o caçambeiro pensa da seguinte forma: ‘vou gastar combustível, vou ter que pagar uma taxa, então descarto em qualquer lugar e não tenho despesa’. Porém o custo indireto é muito alto. Problemas ambientais, problemas sanitários, problemas de saúde pública e um custo muito alto para o poder público na realização dessas limpezas”, explica.
Muito além do prejuízo visual, o secretário alerta para as consequências silenciosas do entulho largado em qualquer lugar.
“Esse resíduo é um resíduo inerte. Então ele não vai gerar gases, não vai gerar efluentes líquidos, porém, ele acaba sendo um local muito propício para o desenvolvimento de animais peçonhentos como escorpiões, cobras, ratos. Ou seja: uma série de pragas urbanas que afetam a saúde pública”, alerta.
Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, todos os pontos denunciados para descarte irregular de lixo são limpos pelas equipes da pasta.
A Secretaria também lembra que Campinas dispõe de todos os serviços para o descarte adequado dos materiais, como coleta domiciliar; coleta seletiva; cata-treco; ecopontos; Usina Recicladora de Materiais, para resíduos de construção civil; cooperativas e pontos de entrega voluntária de recicláveis.
O descarte irregular de resíduos é um crime ambiental previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que pode ser punida com multa pecuniária, de cerca de R$ 680; e processo penal que pode se tornar criminal, a depender da gravidade do caso.




