O Conselho Universitário da Unicamp (Consu) vota nesta terça-feira (16) o projeto que pode transformar a gestão do complexo da área de Saúde da universidade em uma autarquia.
A proposta de criação do “Hospital das Clínicas da Unicamp (HC-Unicamp)” unifica oito órgãos, incluindo o Hospital Central (HC) e o Hospital da Mulher (Caism), em uma autarquia com presidência, conselho deliberativo e órgãos técnicos e administrativos.
Segundo o projeto, articulado pela Reitoria da universidade, o conselho deve ser formado por nove membros, incluindo o presidente do HC-Unicamp; diretor e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM-Unicamp); membros do corpo docente dos cursos de Enfermagem, Ciências Farmacêuticas e Odontologia; e um representante dos servidores.
Na segunda-feira (15), cerca de 30% dos servidores da Unicamp aderiram a uma greve, de 48 horas, em protesto contra as mudanças.
Apesar do funcionamento normal dos atendimentos eletivos e de urgência, áreas como os ambulatórios e as cirurgias eletivas foram impactados.
Os trabalhadores da Unicamp demonstram preocupação com o que avaliam ser a possibilidade de privatização dos serviços da área de Saúde.
O diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores (STU-Unicamp), Toninho Neves, afirma que a categoria luta pela retirada integral do texto do projeto, e critica o curto espaço de tempo desde a apresentação formal do projeto aos diretores de unidades, docentes, estudantes e servidores, em 26 de novembro.
“E uma pergunta que a gente sempre faz pro reitor: por que autarquizar todo o complexo da área de Saúde? Poderia autarquizar uma parte, ver se funciona, ver se dá certo. Mas não, eles querem entregar 25% da área física da Universidade pro secretário de Saúde do Estado que está enfrentando uma greve com os trabalhadores porque fez um acordo na mesa de negociação que não está sendo cumprido”, protestou.
Em entrevista à TV Unicamp na última sexta-feira (12), o reitor Paulo Cesar Montagner defendeu a proposta apresentada pela Reitoria, e afirmou que ela é crucial para ampliar a qualidade dos serviços prestados pela Saúde da Unicamp.
O reitor negou que o projeto tenha sido apresentado com pouco tempo para contraponto, e afirmou que o projeto vem sendo discutido há cerca de três meses.
“Nós temos clareza de que precisamos de um hospital-escola hiper-qualificado, com todos os níveis, do primário e secundário aos mais altos em performance em Saúde de alta complexidade. Isso é fundamental para formarmos bons médicos. Temos uma discussão no país sobre isso e a gente, como universidade, sabe dessa relevância. Portanto não é um assunto novo, e se você pensar numa linha do tempo, ele tem caracterizado em 2010 uma aprovação no Conselho Universitário para dar encaminhamento a isso na gestão do professor Fernando Costa, que o fez em 2011. Os documentos são comprobatórios, mas por algum motivo, faz parte das políticas de governo, isso não aconteceu naquele momento”, defendeu.
Nesta segunda-feira (15), a proposta de autarquização da Saúde foi pautada em uma reunião realizada na Câmara Municipal.
A vereadora Fernanda Souto (PSOL), diz não acreditar na promessa de que a eventual nova autarquia reverta mais recursos e qualidade de atendimento para a área da Saúde na Unicamp.
“A gente entende que isso é uma chantagem do governo, porque a gente também sabe que é possível garantir recursos, tanto pra Saúde como para a Universidade pública sem precisar quebrar essa unidade entre o complexo de Saúde e a universidade, que é responsável por este complexo ser uma referência internacional de excelência no atendimento”, argumentou.
Se a proposta de criação da nova autarquia for aprovada pelo Conselho Universitário (Consu), o texto é levado ao Governo do Estado, que dependerá da aprovação da Assembleia Legislativa (Alesp) para que as mudanças comecem a valer.




