O número de professores da rede estadual de ensino afastados por conduta incompatível com a disciplina cresceu cerca de 12% entre 2024 e 2025.
Dados obtidos pelo Grupo EP via Lei de Acesso à Informação, mostram que 298 professores da rede pública foram removidos de suas funções no ano passado, na somatória que vai até o dia 17 de dezembro.
Em 2024, haviam sido 266 afastamentos. Os números consideram os casos em que uma sindicância está em andamento ou a decisão foi tomada de maneira preventiva.
Foi o que aconteceu com um estudante de uma escola estadual de Campinas, que conta ser sofrido racismo dentro da sala de aula:
“Ela tava falando sobre alguns alunos que tinham faltado, e citou duas alunas negras. Quando citou isso, chamou as duas de ‘neguinhos’, no masculino. Todo mundo achou que não era real”, conta.
O jovem afirma que este não foi o primeiro caso do tipo:
“[Ela] fala pra outro aluno: ‘que bom que ele vai morrer cedo’, sobre outro aluno que era visto como marginalizado porque já tinha repetido [de ano], tinha que trabalhar, era mal visto pelas pessoas”, disse.
A recorrência de episódios desse tipo tem preocupado responsáveis e pais de estudantes da rede estadual. Em dezembro, um professor da rede estadual de Americana foi afastado depois de imagens de circuito interno mostrarem ele abusando de um jovem de 13 anos.
Paulo Cordaço, de 43 anos, era vice-diretor da unidade e foi denunciado por estupro de vulnerável. Para o diretor regional da Apeoesp (Associação dos Professores do Estado de São Paulo), Hamed Bittar, qualquer tipo de abuso é inaceitável e deve ser denunciado.
“Quem trabalha com adolescente precisa ter uma atitude 100%, não pode ter desvio de conduta nenhuma. A gente realmente não vê possibilidade de um professor, de uma professora, apesar de todos os problemas que estão na nossa categoria, de ter uma conduta desse tipo. Isso realmente mancha a educação de uma forma muito triste mesmo”, avalia.
Sobre a acusação de comentários racistas denunciados por um estudante no início da matéria, a Unidade Regional de Ensino de Campinas afirmou que “a professora não fez comentários de cunho racista”, e que a direção da escola realizou uma reunião de alinhamento que resultou na assinatura de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta).
Com informações da EPTV Campinas.




