Um levantamento da Secretaria de Serviços Públicos de Campinas, a pedido do Grupo EP, mostra que o número de quedas de árvores na cidade praticamente dobrou no período de um ano.
Em 2024 haviam sido 280 casos. Já no ano passado, foram 547 ocorrências desse tipo, um aumento de mais de 95%.
A Maria Antonieta de Albuquerque mora no Jardim Chapadão, e reclama do transtorno com a queda de uma árvore na rua da casa dela, em dezembro.
“A árvore caiu, interditou a rua, atingiu a energia elétrica e nós ficamos o dia todo sem energia. Então aqui ficou bem tumultuado”, reclama.
Apesar disso, a quantidade de chuvas, fator frequentemente apontado como motivo para o tombamento das plantas, foi menor em 2025.
O Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mostra que Campinas registrou 1.094,8 milímetros de precipitações, índice cerca de 10% menor do que o registrado há dois anos, quando foram 1.218,9 milímetros.
O secretário de Serviços Públicos de Campinas, Ernesto Paulella, garante que o número de equipes dedicadas ao serviço praticamente dobrou de um ano para o outro.
Ele reconhece a extensão da fila de pedidos, mas aponta os fenômenos climáticos extremos como uma causa potencial para o crescimento no número de quedas de árvores.
“Depende muito da distribuição [da chuva] ou se choveu muito em pouco tempo, e também associado à questão de correntes de ar. De 2023 para cá, nós basicamente dobramos o número de equipes. Tínhamos sete e hoje temos 15 equipes trabalhando na manutenção e no manejo, mais as equipes técnicas, que eram quatro técnicos e hoje são 10 técnicos. Em períodos menos tempestivos nós temos menos demandas. Elas aumentam em períodos muito chuvosos, com muitas tempestades”, avalia.
Paulella reforça que qualquer tipo de intervenção em árvores deve ser feito com a orientação da Secretaria de Serviços Públicos de Campinas.
“Isso não quer dizer que a Prefeitura vai sacrificar essa árvore. Muitas vezes, nem que precise de poda essa árvore. Tudo isso é verificado pelo técnico no momento da vistoria. Esse tempo pode demorar até 90 dias no caso de podas de árvores, a realização da poda. No caso de vistorias para a remoção de árvores, esse período é bem menor”, afirma o titular de Serviços Públicos de Campinas.
Segundo o índice de arborização no entorno de domicílios, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Campinas é a quarta maior cidade brasileira na pesquisa de alcance nacional, com 84,38% de cobertura vegetal.
A estimativa do inventário de arborização, em 2023, é de que sejam 800 mil exemplares, de 35 mil espécies diferentes.