Em visita a Campinas nesta sexta-feira (23), a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Nathália Resende Andrade, se reuniu com integrantes das empresas de saneamento da região das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Em pauta, a criação de uma Parceria Público-Privada (PPP) para construir o SAR (Sistema Adutor Regional), que vai levar a água armazenada nos reservatórios das barragens de Pedreira e Duas Pontes para as 21 cidades da região do PCJ.
O novo sistema é visto como uma aposta para regularizar as vazões do Rio Camanducaia e do Rio Jaguari, que passariam a receber mais 17 mil litros de água por segundo.
A secretária Nathália Resende destaca que o projeto se insere no conjunto de medidas que vão garantir a segurança do abastecimento de água nas próximas três décadas na região do PCJ.
“É deixar um legado. É a gente, de fato, ver a segurança hídrica se concretizar de uma forma organizada junto com os comitês. Com todo esse diálogo que a gente tem feito, transparência, consulta pública. Então de uma forma com que a gente enfrente os desafios que são históricos aqui na região com soluções estruturadas que resolvam os problemas”, pontuou.
Segundo a proposta preliminar apresentada pela Semil, o custo de implantação de três eixos de adutoras é de R$ 311 milhões.
Se o projeto correr dentro do previsto, as obras das adutoras podem começar em meados de 2027, com duração prevista de dois anos.
O diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ, Sergio Razera, avalia que a integração entre os sistemas de abastecimento é uma garantia de futuro para as cidades que fazem parte da região do PCJ.
“Isso tudo tem que estar associado ao próprio [Sistema] Cantareira que também vai ajudar no enchimento ou no esvaziamento dessas barragens. Mas a gente com certeza está falando em 10 ou 15 anos de segurança hídrica, muito embora as demandas da nossa região, como loteamentos, estão em alta. Então isso tudo vai exigir um cálculo dessas demandas futuras para que elas não extrapolem todo esse planejamento”, ponderou.
Em Campinas, um dos impactos da implantação do SAR é a criação de uma nova ETA, pela Sanasa, para fazer a captação da água pelo Rio Jaguari.
O secretário-executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, diz que o novo sistema responde a mais de 30 anos de negociações com o Governo do Estado, e elenca o combate às perdas na distribuição como o próximo desafio regional.
“Reduzir o desperdício é igualmente ou mais importante, e isso é possível fazer porque o nosso trabalho começou lá em 1998. Os municípios, de certa forma, já estão fazendo a lição de casa. É uma questão atrásra de nós reforçarmos as ações, com a construção de cisternas, barragens municipais, barragens regionais, e também combatendo o desperdício”, destacou.
O projeto apresentado pela Semil também prevê a criação de uma hidrelétrica para ajudar a amortizar os custos da implantação do sistema de adutoras.
A concessão do sistema tem valor estimado de R$ 1,9 bilhão por um período de 30 anos.
A primeira audiência pública da proposta acontece no dia 29, às 14h00, no Palácio dos Jequitibás. A série de consultas acontece até o dia 10 de fevereiro, em calendário disponível no site da Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado.