Campinas vai fazer parte de um estudo da Fundação Oswaldo Cruz para avaliar a possível entrada no SUS de uma injeção aplicada a cada seis meses para prevenção ao HIV. A pesquisa usa o remédio lenacapavir.
A autorização de uso do lenacapavir como método de prevenção, chamado de PrEP, foi dada pela Anvisa no dia 12 de janeiro. O remédio tem alta eficácia e é aplicado por via subcutânea. A indicação é para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que tenham risco de contrair o vírus. Antes do início do tratamento, é obrigatório apresentar teste negativo para HIV-1.
O estudo, chamado ImPrEP LEN Brasil, será voltado a homens gays e bissexuais, pessoas não binárias que nasceram com sexo masculino e pessoas trans, de 16 a 30 anos. A participação será espontânea. A Fiocruz informou que não haverá busca ativa de voluntários. O atendimento será para quem procurar as unidades de saúde e estiver dentro do público-alvo.
Campinas é uma das sete cidades do estudo. As outras são São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus e Nova Iguaçu.
A Fiocruz confirmou que as doses já chegaram ao Rio de Janeiro. O início das aplicações depende da chegada de agulhas específicas ao país. O remédio tem custo alto, variando entre 130 mil e 200 mil reais por pessoa por ano. Para o estudo, o material foi doado pela fabricante para dois anos de pesquisa. O estudo vai atender 1.500 participantes no Brasil.
O lenacapavir é um antirretroviral de ação prolongada. Ele não é uma vacina. É uma medicação preventiva aplicada duas vezes por ano, o que muda a rotina de quem hoje toma comprimidos diários para evitar o HIV.