A Justiça do Trabalho homologou um acordo entre o influenciador de medicina chinesa Peter Liu e a mulher que o acusou de ter sido mantida por cerca de 30 anos em condições análogas à escravidão, em Campinas.
Peter Liu, que soma mais de quatro milhões de seguidores nas redes sociais, havia sido condenado em primeira instância ao pagamento de aproximadamente 1 milhão e 200 mil reais em verbas trabalhistas. Após intimação do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, as partes firmaram um acordo no valor de 700 mil reais. O termo também prevê a anotação do vínculo empregatício na carteira de trabalho da ex-funcionária.
De acordo com o processo, a trabalhadora saiu de Pernambuco em 1992 e passou a atuar como babá, empregada doméstica e também na clínica da família. Ela afirma que, durante todo esse período, não recebeu salário, férias nem descanso semanal.
Ainda segundo o relato, a jornada de trabalho começava por volta das quatro da manhã e podia se estender até as dez e meia da noite. A mulher diz que inicialmente dormia em um sofá e, depois, em uma maca, em condições consideradas precárias.
O vínculo foi encerrado em 2022, após ameaças. A partir disso, a trabalhadora buscou apoio jurídico. Atualmente, ela vive na casa da filha de Peter Liu, a quem ajudou a criar ao longo dos anos.
Em nota, a defesa de Peter Liu afirmou que, com a homologação do acordo, fica afastada qualquer acusação de trabalho análogo à escravidão. Segundo os advogados, o caso se trata de um acordo trabalhista de natureza comum.