Dos seis cursos de medicina na região de Campinas, dois foram mal avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Eles receberam notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e podem sofrer punições.
O Enamed é uma prova anual aplicada pelo MEC (Ministério da Educação) por meio do Inep para avaliar a formação médica no Brasil. Ao todo, 351 cursos foram avaliados e 30% estão na faixa considerada insatisfatória.
A Faculdade Municipal Prof. Franco Montoro, de Mogi Guaçu, obteve nota 1, enquanto a Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas, recebeu a nota 2. A Unicamp obteve nota máxima.
Unicamp (Campinas ) – nota 5
PUC-Campinas (Campinas) – nota 4
Centro Universitário de Jaguariúna (Jaguariúna) – nota 3
Centro Universitário Max Planck (Indaiatuba) – nota 3
Faculdade São Leopoldo Mandic (Campinas) – nota 2
Faculdade Municipal Professor Franco Montoro (Mogi Guaçu ) – nota 1
De acordo com o Inep, participaram da avaliação cerca de 89 mil alunos entre aqueles que estão concluindo a faculdade e em outros semestres.
Dos alunos concluintes, cerca de 39 mil, que são aqueles que estão perto de chegarem ao mercado de trabalho para atender o público, apenas 67% teve o que o instituto chama de “resultado proficiente”, ou seja, conseguiu mostrar na avaliação conhecimento suficiente.
O balanço dos resultados foi divulgado pelo Ministério da Educação nesta segunda-feira (20) em Brasília.
As instituições de ensino sofrerão punições. As que tiraram nota 2 terão que reduzir o número de vagas para entrada de novos alunos. As que tiraram nota 1 terá suspensão total do ingresso de estudantes. Há ainda punições que incluem redução do número de cursos suspensão do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e de outros programas federais. As faculdades terão prazo para apresentar defesa.
O que dizem as instituições:
Faculdade Municipal Prof. Franco Montoro de Mogi Guaçu
“Nosso curso iniciou em 2020, com exatos 28 dias de aula ocorreu o “lock down” da pandemia COVID-19 e, por longos 18 meses tivemos aulas online. Formamos a primeira turma com o curso reconhecido. Infelizmente, alguns alunos não entenderam a importância da prova para a Instituição e não respeitaram nem o tempo mínimo do exame, o que fez com que as notas, no cômputo geral, fossem puxadas para baixo. Muitos alunos obtiveram acima de 75% de aproveitamento, os mais comprometidos e cientes que o nome da Instituição são eles que levam adiante. Este ano, desde o início do ano letivo, já incentivaremos a importância desta prova para o nome da instituição de ensino.”
Grupo Mandic
“O Grupo Mandic reafirma seu compromisso histórico com a excelência na formação médica, fruto de investimentos contínuos em infraestrutura de ponta, corpo docente qualificado e uma proposta pedagógica centrada no cuidado integral do paciente. Diante da recente divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED), a instituição esclarece que foram identificadas inconsistências sistêmicas na divulgação pública dos dados pelo Ministério da Educação, com divergências significativas entre as notas publicadas e aquelas disponíveis às próprias instituições na plataforma oficial E-MEC. Este cenário afeta diversas instituições de ensino superior em nível nacional, sendo fundamental que a leitura dos resultados se baseie exclusivamente nas informações oficiais de acesso institucional.
Os dados institucionais oficiais apontam desempenho consistente, com destaque para a Faculdade de Medicina do Sertão (Conceito 4) e Campinas (Conceito 3). Sobre o resultado de Araras (Conceito 2), a instituição ressalta que o exame foi aplicado a alunos do 11º período, sem impacto imediato em suas carreiras, o que gerou um baixo engajamento, com apenas 15% de adesão ao Exame Nacional de Residência. A instituição reforça que o desempenho isolado em uma prova não reflete a qualidade de seu projeto pedagógico e defende uma revisão no modelo de avaliação para que os próximos ciclos garantam maior adesão discente e precisão nos resultados.“
Universidade Anhembi Morumbi sobre o resultado do Enamed.
“A Universidade Anhembi Morumbi reafirma seu compromisso com uma medicina de excelência, em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Medicina do Ministério da Educação (MEC), e apoia iniciativas que promovam melhorias na qualidade da formação médica, sempre que estabelecidas de maneira consistente e estruturada. Em nossa avaliação, os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED), considerados de forma isolada, não constituem indicadores suficientemente robustos ou conclusivos para aferir a qualidade da formação médica ofertada pela instituição, uma vez que, o curso apresenta conceito máximo (nota 5) na avaliação oficial conduzida pelo Ministério da Educação, que segue metodologia própria, critérios objetivos e procedimentos técnicos consolidados.
A instituição acompanha de forma atenta e responsável os debates relacionados à metodologia adotada para a divulgação dos resultados, bem como as análises em curso acerca de eventual necessidade de adequação dos critérios e dos cálculos empregados, sempre orientada por parâmetros técnicos, consistentes e transparentes.
Vale destacar que, até o presente momento, não há qualquer comunicação oficial por parte do Ministério da Educação ou de outros órgãos competentes acerca da imposição de penalidades ou sanções decorrentes dos referidos resultados.”
O Ministério da Educação (MEC) foi procurado para questionar a inconsistência apresentada pela São Leopoldo Mandic, mas a pasta não respondeu sobre o assunto.