O agronegócio, um dos motores da economia brasileira, tem na citricultura os principais produtos dessa cadeia.
Todos os anos, o país produz cerca de 20 milhões de frutos como tangerina, limão e laranja. Esta última, corresponde a ¼ do total produzido no mundo. É a matéria prima do suco de laranja, um dos principais itens comerciais do Brasil.
Mas essa potência enfrenta um grande inimigo: o chamado “greening” uma doença provocada por uma bactéria transmitida por um inseto conhecido como “cigarrinha”.
Ela se instala no centro da laranja, e acelera o ciclo de envelhecimento das folhas e dos frutos, que passam a viver bem menos do que o esperado.
Mas um novo centro de pesquisas que vai ser criado na Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em Piracicaba, deve criar soluções para enfrentar a doença que é uma grande dor de cabeça para o agricultor.
O novo polo une 19 instituições e 76 divisões de pesquisas no Brasil e outros seis países, com investimento estimado de R$ 90 milhões. Quem explica é o criador do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), Renato Bassanezi.
“É uma doença que ainda não tem uma cura, não tem alternativa sustentável de controle. O que se busca com esse investimento é acelerar as pesquisas que já estão sendo desenvolvidas nos últimos 20 anos, quando o greening apareceu no estado de São Paulo para achar soluções mais sustentáveis como variedades resistentes à bactéria ou variedades repelentes ao inseto, produtos que possam ser aplicados e matar a bactéria dentro da planta e que a ajudem a ser saudável e voltar a produzir como se fosse sadia”, conta.
A pesquisadora da Esalq, Lilian Amorim, destaca que os estudos estão avançados.
“Esse centro vai impulsionar as pesquisas e, à medida que os resultados forem saindo, eles vão sendo imediatamente transferidos aos produtores. O Fundecitrus tem uma grande equipe de agrônomos que está no campo e já faz essa transferência. A ideia é que, à medida em que a gente tenha resultados promissores, eles já sejam aplicados no campo”, comemora.
É a tecnologia a favor de um dos motores do plantio de laranja, que emprega cerca de 200 mil pessoas no Brasil, aguardada por produtores como o técnico agrícola Reginaldo Paladino, de Pirassununga.
“Pra que a gente possa controlar a bactéria depois de infectada. As novas tecnologias são sempre bem-vindas aqui na agricultura”, afirma.
Segundo o Fundecitrus, a região de Limeira é a área do cinturão citrícola paulista e mineiro mais afetada pelo greening. No ano passado, a doença afetou quase 80% das lavouras.




