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Falhas cirúrgicas dão direito à indenização do paciente, garante advogada

Número de processos por erros cresceu 15% entre 2024 e 2025 em Campinas
Falhas cirúrgicas dão direito à indenização do paciente, garante advogada
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostram que o número de casos de falha em cirurgia judicializados em Campinas cresceu quase 15% de um ano para o outro

De janeiro a novembro de 2025, foram 77 casos registrados na metrópole, número que supera as 67 ocorrências levadas aos tribunais em 2024. 

Foi o que aconteceu com uma mulher que passou por uma cirurgia para tirar as joanetes dos dois pés, mas enfrentou um pós-operatório nada fácil. 

“Eu tinha muita dor, reclamei para a profissional e ela dizia que ‘depende, é estranho, é assim mesmo’ e que não havia muita coisa a ser feita. Fui fazer uma radiografia de controle e a técnica me chamou: ‘Você viu como está o seu pé?’. Estava um massacre: não tinha cicatrizado, tinha parafuso fora do corte, parafuso que antecedia o osso”, conta.

Ela afirma que está reunindo provas para processar a cirurgiã, e reclama da falta de empatia da profissional

“Me deixou muito revoltada, além do erro, a falta de contato, de empatia, de solidariedade, de entender o meu problema pelo meu momento de dor e não tive esse respaldo médico. Uma profissional do gabarito que eu procurei, precisa ter uma responsabilidade civil e moral do que ela tá repassando”, cobra.

Erros médicos podem gerar direito a indenização, como explica a advogada Thaís Cremasco

“Se a pessoa tiver qualquer funcionalidade do corpo comprometida, ela não só receberá uma indenização por danos morais em decorrência de todo o sofrimento que isso traz pra uma pessoa; os danos materiais para que seja ressarcido em relação aos gastos em decorrência desse erro. E ele também poderá pedir uma pensão mensal, inclusive vitalícia ou enquanto tiver essa lesão na vida daquela pessoa”, garante.

Para o professor e membro da Sobrasp (Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente), Luís Antonio Diego, os casos merecem atenção, mas são menos frequentes do que sugerem os números. 

“Em relação ao volume que é realizado, não é tanto assim. É claro que deve ser evitado, a gente faz um esforço na sociedade como médico, trabalhando sobre a segurança do paciente, para que isso reduza. Mas não é fácil. O importante é que existem, hoje, diversos protocolos, checklists e muitas atividades que tentam minorar esses eventos”, afirma.

A nível nacional, de janeiro a novembro de 2025, o Brasil registrou 66.097 casos de erros cirúrgicos.  

Dentre as causas mais comuns estão os procedimentos feitos em lugares errados e a retenção não-intencional de materiais no corpo de pacientes depois do fim das cirurgias. 

  • Com informações da EPTV Campinas

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