A Justiça de São Paulo encerrou as audiências do processo que apura o desvio de recursos de projetos científicos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
A ré, Ligiane Marinho de Ávila, participou por videoconferência, a partir do Reino Unido, onde vive desde que deixou o Brasil.
A audiência teve oitiva de testemunhas e o interrogatório da ex-servidora acusada de desviar mais de R$ 5 milhões do Instituto de Biologia da Unicamp, mas o conteúdo dos depoimentos não foi divulgado.
A juíza abriu prazo de dez dias para o Ministério Público apresentar as alegações finais e, depois disso, mais dez dias para a defesa. O processo volta então para sentença.
Mesmo foragida e com mandado de prisão preventiva em aberto, a suspeita acompanhou o ato pela internet. O Tribunal de Justiça informou que réus nessa situação têm direito a participar de audiências remotas, sob risco de anulação.
A Polícia Federal já pediu a extradição da ex-servidora, localizada no Reino Unido. Ela saiu do Brasil em fevereiro de 2024, cerca de um mês após a descoberta dos desvios.
As investigações apontaram o uso de notas fiscais falsas, a movimentação de mais de R$ 6,6 milhões na conta pessoal da acusada e a compra de moeda estrangeira com verba destinada às pesquisas.
A defesa disse que todas as movimentações foram feitas com conhecimento de pesquisadores e da universidade. Já a Fapesp e o Ministério Público afirmaram que os desvios foram cometidos pela ex-servidora e que parte dos docentes teve responsabilidade culposa ao permitir acesso às contas dos projetos.