A ex-servidora da Unicamp Ligiane Marinho de Ávila, acusada de desviar mais de cinco milhões de reais de projetos científicos do Instituto de Biologia, participou de forma virtual, direto do Reino Unido, da audiência de instrução do processo na Justiça paulista.
Mesmo foragida e com mandado de prisão preventiva em aberto, Ligiane acompanhou a audiência por videoconferência. De acordo com o Tribunal de Justiça, réus nessa condição têm direito à participação no ato telepresencial, sob risco de nulidade do processo.
Este é o segundo dia de audiência, dedicado à oitiva de testemunhas. A sentença, no entanto, não deve ser proferida neste momento, já que ainda faltam as alegações finais das partes.
Ligiane foi localizada pela Polícia Federal no Reino Unido, que já formalizou o pedido de extradição. Ela deixou o Brasil em fevereiro de 2024, cerca de um mês após a descoberta dos desvios.
As investigações apontam o uso de notas fiscais falsas, a movimentação de mais de seis milhões e seiscentos mil reais na conta pessoal da ex-servidora e a compra de moeda estrangeira com recursos destinados à pesquisa científica.
A defesa sustenta que todas as transações foram realizadas com conhecimento de pesquisadores e da própria universidade. Já a Fapesp e o Ministério Público afirmam que os desvios foram praticados por Ligiane e que parte dos docentes teve responsabilidade culposa ao permitir o acesso às contas dos projetos.
O caso segue em andamento na Justiça de São Paulo.