O episódio final da série Liberdade de Crer, da CBN Campinas, amplia o debate sobre intolerância religiosa ao abordar a espiritualidade dos povos indígenas e a escolha de não crer.
A reportagem mostra que, para os povos indígenas, o sagrado não se encaixa no conceito ocidental de religião. Ele está na existência, na relação com a natureza, na ancestralidade e no território. A espiritualidade é vivida no cotidiano, transmitida pela oralidade e sustentada, em muitas etnias, pelo papel central das mulheres como guardiãs dos saberes, dos cantos, das rezas e da cura. Por isso, ataques a territórios e casas de reza representam não só intolerância religiosa, mas uma ameaça direta à continuidade cultural desses povos.
O episódio relembra que essa espiritualidade foi historicamente alvo de apagamento, racismo religioso e violência desde a colonização, e destaca a educação e o respeito como caminhos fundamentais para combater o preconceito e reconhecer o direito de existir dos povos originários.
Na segunda parte, a série aborda a intolerância enfrentada por ateus e agnósticos. Em um país majoritariamente religioso, a ausência de fé ainda gera desconfiança, silenciamento e questionamentos sobre moralidade. A reportagem reforça que ética e valores podem existir independentemente da religião e lembra que a Constituição garante tanto a liberdade de crença quanto a liberdade de não crer.
O episódio conclui que respeitar todas as formas de espiritualidade, assim como a escolha de não acreditar, é um princípio essencial da democracia, dos direitos humanos e da convivência em sociedade.