Meninas entre 10 e 19 anos concentram a maior parte dos atendimentos ambulatoriais por anorexia e bulimia em Campinas. O dado é de um levantamento da Secretaria Municipal de Saúde e reforça o alerta sobre os riscos dos transtornos alimentares na adolescência.
Especialistas apontam que, nessa fase da vida, os transtornos alimentares podem estar associados à pressão estética, à comparação constante e à busca por aceitação social, fatores que impactam diretamente a saúde física e emocional.
A trajetória da nutricionista Rebeca Meyer ilustra essa realidade. Hoje especialista em reeducação alimentar, ela enfrentou um transtorno alimentar grave no fim do ensino médio, quando tinha entre 17 e 18 anos. A experiência pessoal influenciou sua escolha profissional e reforça a importância do cuidado precoce.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, meninas entre 10 e 19 anos representam 27,3% dos atendimentos ambulatoriais por anorexia e bulimia registrados na cidade, o maior percentual entre todas as faixas etárias. Em seguida aparecem mulheres de 30 a 39 anos, que concentram 23,6% dos registros.
Durante a adolescência, o corpo passa por transformações rápidas e intensas, enquanto o desenvolvimento emocional ainda está em construção. Nesse contexto, cobranças estéticas, insatisfação com a imagem corporal e tentativas de emagrecimento sem orientação adequada podem se tornar gatilhos para transtornos alimentares.
Especialistas alertam que esses distúrbios podem comprometer o crescimento, a saúde óssea, o metabolismo e o equilíbrio hormonal, além de afetar a saúde mental. Por isso, o acompanhamento médico, nutricional e psicológico é fundamental.
A orientação é buscar ajuda o quanto antes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam as chances de recuperação e reduzem o risco de que os transtornos alimentares deixem consequências para a vida adulta.