O trajeto de quem depende do ônibus para ir e voltar da região dos bairros Monte Belo, Chácaras Gargantilha e Recanto dos Dourados não é nada fácil. Logo depois da ponte estreita sobre o Rio Atibaia, a Avenida Antônio Ignácio Pupo e a Rua Romeu Túlio se tornam verdadeiros ralis de ônibus.
E a suspensão dos veículos é a principal castigada nessa história. Dois motoristas que operam linhas de ônibus para o bairro e preferiram não se identificar, reclamam que a estrada de chão batido provoca sérios danos para os veículos.
“Praticamente todo dia quebra um, os ônibus não aguentam. É problema de suspensão, de pneu, um desgaste absurdo”, relata um motorista.
“As estradas são muito ruins, a Prefeitura não consegue manter a estrada em condições de fluir para manter os veículos em condições melhores. Toda a parte de suspensão, elétrica, inclusive machucando passageiros mesmo andando devagar”, denuncia outro motorista.
As portas que travam, as peças da suspensão que quebram e os pneus danificados são apenas os exemplos mais simples dos problemas que a falta de asfalto provoca.
Sabendo que os veículos podem dar problemas, eles afirmam que os ônibus operados em linhas como 3.50 (Gargantilha/Estação Cidade Judiciária) e 3.58 (Cidade Judiciária/Recanto dos Dourados) são os mais atingidos.
“A pessoa nunca começa a construir uma casa, coloca um telhado e depois a parte de baixo. Começa de baixo pra cima. Se alguém pensa diferente, tá pensando errado”, critica.
Mas os chacoalhões do solo desnivelado são os menores problemas. A viagem feita de vidros fechados para barrar a poeira levantada, se torna uma verdadeira tortura em dias de calor.
Quando os vidros são abertos, o resultado é um banho de pó, como reclamam muitas moradoras dessa região, que fazem diariamente o itinerário até o centro da cidade.
“Quando o 3.50 quebra, a gente fica uma hora esperando o ônibus na estrada. É uma coisa horrorosa”, reclama.
“Tanto que esse ônibus aqui era pra ter saído às 15h15 (já eram 15h25), já passou bem o horário, e ele está quebrado. É todo dia esse horário ele está quebrado. Eu saio às 14h00 para chegar 16h30, 17h00”, relata.
Em busca do conforto da área rural, a Adriane se mudou para cá há oito anos, mas teme a insegurança do trajeto e os problemas mecânicos sofridos pelos ônibus pela falta de asfalto.
“Falta uma estrada digna para chegar ao trabalho, ter um socorro médico, é tudo isso. São mães com crianças de colo. É muito perigoso. A gente tem vários idosos, crianças com deficiência. São muitas pessoas que dependem do transporte público”, apela.
A CBN procurou a Prefeitura de Campinas, que anunciou ter “projetos básicos e estudos para estas áreas, mas que ainda busca recursos para a execução”.
Especificamente o Recanto dos Dourados já possui um projeto de pavimentação em fase avançada, que atualmente passa por revisão. O investimento estimado é de R$ 150 milhões, mas os recursos orçamentários também estão sendo buscados.
Segundo a Administração, as vias de terra da região recebem manutenção de forma regular, feita pela equipe da Secretaria de Serviços Públicos.
Os trabalhos usam máquinas e fazem aplicação de material triturado para melhorar as condições de tráfego, e são intensificados nos dias de chuva e nos itinerários de ônibus.




