A diretoria do HAOC (Hospital Augusto de Oliveira Camargo) em Indaiatuba confirmou, nesta sexta-feira (30), a morte do bebê que é filho da gestante Bianca Fidêncio da Silva, que também faleceu após complicações no parto no último dia 21.
O recém-nascido estava hospitalizado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado gravíssimo. Segundo a direção do HAOC, uma sindicância técnica foi aberta para fazer uma apuração rigorosa dos acontecimentos médicos no atendimento da gestante.
O Hospital disse estar ciente da ocorrência de “sofrimento fetal agudo”, relatado pelo obstetra assistente do caso, e que teria motivado a intervenção com o uso de fórceps.
O HAOC declara que, “segundo os esclarecimentos técnicos fornecidos, essa é uma medida excepcional e emergencial para preservar a viabilidade do feto”.
A instituição ainda diz que as graves complicações exigiram a “intervenção obstétrica invasiva”. O resultado da sindicância vai ser encaminhado ao CRM (Conselho Regional de Medicina).
Segundo a família de Bianca, a jovem sofreu uma hemorragia durante o uso de fórceps em um procedimento de parto normal.
O médico responsável pelo parto teria negado o pedido de cesárea. A família relatou ter apresentado uma carta da obstetra que fazia o acompanhamento de Bianca e recomendou o procedimento.
Bianca já era mãe de uma filha e havia sofrido dois abortos. O marido dela, Mateus Felipe, relatou os detalhes da negativa pelo procedimento.
“Ela pediu, ela brigou várias vezes, ela falou: ‘Eu quero que seja cesárea, não quero que seja normal’. Porque ela estava sentindo muita dor. Ela falou: ‘Mateus, eu tô sentindo muita dor, eu não tenho passagem’. Mas ele [o médico] falou: ‘Não tem porquê eu fazer cesárea sendo que pode ser que ela ganhe normal porque ela está dilatando. Deu a entender, pra mim, que a mulher não tem voz hoje”, contou.
O médico responsável pelo parto pediu afastamento das funções no último dia 23.
O caso foi registrado na Polícia Civil como “morte suspeita” e segue sob investigação.