A Rede Mário Gatti abriu uma comissão para apurar possíveis irregularidades nas licenças médicas de profissionais da UPA Carlos Lourenço, em Campinas. A unidade atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e conta com 36 clínicos gerais concursados.
De acordo com um levantamento interno, entre janeiro e outubro de 2025, 28 médicos apresentaram atestados médicos. Desses, dez profissionais tiveram afastamentos superiores a 15 dias. Somados, esses dez médicos ficaram afastados por 569 dias. Em um dos casos, um único profissional acumulou 155 dias de licença médica.
A situação veio à tona em novembro e levou à criação da Comissão de Revisão Médica, responsável por analisar os atestados apresentados, os prontuários e ouvir os profissionais envolvidos. A portaria que institui a comissão foi publicada no Diário Oficial do Município e prevê a elaboração de um relatório técnico que vai embasar a sindicância instaurada pela administração.
A investigação não tem prazo definido para ser concluída e tramita em sigilo. A Prefeitura de Campinas informou que o Conselho Regional de Medicina (CRM) foi comunicado e será responsável por avaliar eventuais providências no âmbito profissional.
Segundo a administração municipal, a comissão já iniciou os trabalhos e o caso pode ter novos desdobramentos. Um dos médicos citados na apuração pediu exoneração e já não integra mais o quadro de profissionais da unidade.
A Licença para Tratamento de Saúde permite o afastamento do servidor sem prejuízo da remuneração. Entre os afastamentos mais longos registrados estão períodos de 155, 95 e 74 dias. A apuração busca esclarecer se houve uso irregular desse benefício.




