A mais nova ameaça de Donald Trump às relações econômicas é a taxação em 25% de todos os produtos comprados pelos Estados Unidos de países que mantém relações com o Irã. A medida pode afetar o Brasil, que tem uma balança comercial positiva com o país do Oriente Médio. E a região de Campinas, em uma escala bem menor, também pode ser afetada.
A pedido da CBN Campinas, o economista Ricardo Buso fez um levantamento da relação comercial entre os dois países. O Irã representa para o Brasil um dos maiores destinatários de nossos produtos no Oriente Médio. A compra é de, principalmente, milho, soja e açúcar. Só que representa apenas 0,5% de todo o comércio internacional brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões e importou US$ 84,6 milhões.
A região teve um cenário diferente no ano passado: a grande Campinas importou US$ 1,3 milhão, enquanto apenas US$ 23,5 mil foram exportados.
Só que as dúvidas ainda são muito grandes, porque a ordem executiva da nova taxação não foi publicada.
Em detalhes, Campinas foi quem mais importou no ano passado, totalizando US$ 780 mil, seguidas por Itu, com US$ 552 mil. Os dois municípios compraram alcalóides vegetais, que são produtos normalmente usados em fármacos, da família da cafeína, por exemplo. Sorocaba comprou cerca de US$ 1,8 mil em frutas preparadas e em conservas, e Valinhos US$ 461 em fios e cabos elétricos.
Já nas exportações, Santo Antônio de Posse puxou as vendas ao Irã, com US$ 14 mil em sementes. Jaguariúna também exportou, mas apenas US$ 2 do mesmo produto. Salto vendeu US$ 9 mil em “mós”, que são artefatos de moagem, e Itapira exportou US$ 94 em reagentes de laboratório.
Até por causa desses números, Ricardo Buso acredita que o efeito dessa tarifa é muito mais indireto e de retaliação ao Irã.
O governo brasileiro aguarda a publicação do decreto do presidente Donald Trump para avaliar o impacto do novo tarifaço. A China, principal parceira comercial do Irã, alertou contra qualquer ação militar, afirmando que tomará medidas para proteger cidadãos chineses em território iraniano. Pequim e Washington já enfrentam uma guerra comercial em 2025, e a nova decisão americana fez a tensão bilateral voltar a crescer. A crise também gerou reações na Europa e no entorno regional. A Turquia denunciou ingerências estrangeiras no Irã. A França anunciou a retirada de parte de seu pessoal diplomático do país. Bélgica e Reino Unido condenaram oficialmente a repressão aos manifestantes, enquanto a Alemanha afirmou que o regime iraniano estaria vivendo seus últimos dias.





