Continuam presos os pais das três crianças encontradas em condições insalubres dentro de uma casa no Centro de Paulínia na manhã desta segunda-feira (12).
Eles prestaram depoimento na Delegacia da cidade depois de serem presos em uma diligência da Guarda Municipal, que recebeu denúncia de violência doméstica.
Segundo o delegado Ricardo Zinn, a gravidade das condições constatadas pela equipe policial vão embasar um pedido de prisão preventiva.
“Pela gravidade, pra afastá-los do convívio dessa criança, estou apresentando o pedido que vai ser analisado pelo Judiciário”, afirmou.
As imagens do interior do imóvel mostram uma grande quantidade de lixo em vários ambientes da casa, e que também surpreenderam os policiais, como conta o delegado.
“A casa não tem energia elétrica, não tem água potável, não tinha alimentação. A geladeira era um armário com comida podre e fezes de bichos, larvas. Todos os armários sem comida e tudo sujo. A pia com panelas estava cheia de mofo, com coisas que deviam estar lá há semanas ou dias. E as crianças sem condições de higiene. Uma delas alegou que estava há mais de uma semana sem tomar banho, sem comer. A última vez que havia comido foi no sábado. Ontem, 35º C em Paulínia e essas crianças estavam trancadas na casa”, indignou-se.
As crianças têm idades de um ano e dois meses; 5 e 11 anos, sendo que a de 11 era responsável por cuidar dos irmãos, que estavam sem os pais há vários dias.
Elas passaram por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), que confirmou que elas não tinham nenhum ferimento, e depois encaminhadas ao Conselho Tutelar, onde devem aguardar o direcionamento para uma família acolhedora em Paulínia.
O inspetor da Guarda Civil Municipal de Paulínia, Alexandre Mendes, encoraja que pessoas que suspeitem de situações de maus tratos façam denúncias para as autoridades policiais.
“Quem avistar qualquer desinteligência entre casal, pode acionar a GM no 153 ou a PM no 190. Era uma suposta violência doméstica que causou tudo isso. As crianças estavam sofrendo maus tratos”, alertou.
O Grupo EP procurou o Conselho Tutelar de Paulínia, que não quis gravar entrevista, mas confirmou ter recebido uma notificação de frequência escolar irregular envolvendo uma das crianças; e outra sobre uma das crianças encontrada sozinha na rua.
Depois de uma visita técnica, o Conselho Tutelar afirma que só teve acesso à parte da frente da casa, onde funcionava um salão, mas não constataram nada.




