O emprego formal no Brasil registrou um avanço de 2,71% no ano passado, conforme os dados consolidados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, do Ministério do Trabalho. Em um movimento semelhante, o Estado de São Paulo cresceu 2,17%, mas é possível entender esse número relativamente mais baixo. É porque algumas regiões performaram abaixo desse número.
É o caso de 54 municípios que compõem a cobertura da CBN Campinas. Nessas cidades, houve crescimento na geração de emprego na média geral, mas 1,62% maior que em 2024. Ao todo, foram 38.684 postos de trabalho no ano.
A geração em termos proporcionais foi liderada pela agropecuária, com 6,61%, mas a quantidade de vagas geradas é muito menor, até porque não é exatamente a vocação oficial da nossa região. O setor de serviços, porém, foi quem, na ponta do lápis, criou mais postos de trabalho: 13.579 em 2025.
Sorocaba foi a cidade que mais gerou vagas ao todo: 5.535, crescimento de 2,41%, puxado principalmente pela indústria de transformação. Mas, o economista Ricardo Buso, que analisou os dados a pedido da CBN Campinas, chama a atenção para a fabricação de veículos. Ainda que tenha sido apenas o quarto maior gerador, com pouco menos de mil vagas, é um setor que tem se mostrado muito promissor. Tanto que, em Iracemápolis, onde há uma planta de veículos elétricos, foi a área que mais gerou contratações: 792.
Campinas foi o segundo maior gerador de postos de trabalho, 3.308. Jundiaí vem logo atrás, com 3.208 oportunidades.
Do lado de baixo da tabela, Capivari fechou o ano passado negativo, 2,05% em comparação a 2024. O setor de serviços encerrou 467 vagas, principalmente no segmento de alimentação e transporte terrestre.
Paulínia também emendou um resultado negativo, com 304 vagas fechadas, seguida por Elias Fausto, com saldo negativo de 263 oportunidades.
Outro dado que chamou a atenção é que, analisando as 54 cidades de área de cobertura, 67% das vagas foram destinadas às mulheres. Campinas teve 88% novas oportunidades para elas, e Socorro, 96%. Para Ricardo Buso, isso se explica: as áreas que geraram novos postos de trabalho, serviços e tecnologia da informação, tem um número maior de mulheres, mas a mudança na mentalidade é um fator determinante para isso.
O economista avalia que o ano de 2026 será uma grande balança: deve ser um ano que termine também com números positivos na geração de postos de trabalho, mas é possível que os números sejam menores. A taxa de juros ainda muito elevada, com a Selic em 15% e seguindo assim até a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, é um dos fatores que puxa para baixo a geração de emprego –mesmo que ela caia, os efeitos demoram para ser sentidos. Mas, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil pode provocar um aumento natural no consumo, já que haverá mais dinheiro em circulação.
E ainda temos eleição, que acaba mexendo, de uma forma ou outra.
