Horas após a tragédia que matou uma criança de sete anos e deixou uma mulher ferida na Lagoa do Taquaral, na terça-feira (24), o secretário municipal Serviços Públicos, Ernesto Paulella, foi até o Parque Portugal e atendeu a imprensa.
Segundo Paulella, vistorias foram realizadas nas árvores do parque neste mês, e não foi verificado o risco de queda. “Faz 15 dias, periodicamente são feitas essas análises, os engenheiros e técnicos da secretaria fazem em todas as praças e árvores, não havia qualquer risco de queda desse eucalipto, tanto não havia que podamos todos eucaliptos aqui no limite do alambrado”. Paulella descarta que tenha havido negligência nas vistorias. “A análise preliminar ótica feita pelos engenheiros agrônomos e florestais indicou que é uma árvore sadia, não há negligência neste caso, inclusive podamos as árvores com peso maior, é uma questão das intempéries”
Ivan André Alvarez é pesquisador da Embrapa/Meio Ambiente, e há dez anos coordenou um estudo mapeando as árvores de Campinas. O estudo apontou uma piora no manejo das árvores e a falta de planejamento e profissionalismo em relação à arborização em Campinas. “A gente não têm um dinamismo que deveria ter, de ter um monitoramento ao longo do tempo, se faz assim ‘ah, uma árvore precisa ser cortada, corre lá e faz um laudo’, não tem esse planejamento, claro, agora quando eu não tenho nem um pouco esse diagnóstico, e hoje existem equipamentos para isso, uma forma para se tratar de uma maneira profissional, foi feito isso nas árvores de Campinas?” Alvarez ressaltou que os profissionais que lidam com isso pela Prefeitura são eficientes e dedicados, porém afirma haver falta de pessoal e de estrutura.
Parques fechados
Em relação ao fechamento de todos os parques e praças de esportes da cidade, determinado pela prefeitura após a tragédia, Paulella justificou afirmando que isso ocorre devido à saturação do solo pelo excesso de chuva, o que deixaria as árvores instáveis, sujeitas a ventos, favorecendo novas quedas.