A informação amplamente difundida de que abastecer com Etanol só vale a pena se o preço dele estiver em até 70% da gasolina tem sido questionada por especialistas do setor. O pesquisador do NIPE – Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético – Luiz Augusto Horta Nogueira, analisa que essa conta está desatualizada, já que a própria gasolina tem cada mais etanol na sua composição. O taxista, Luciano Francisco da Cruz, concorda com a análise do pesquisador.
Mas, num posto de gasolina de Campinas, onde essa porcentagem está em 72% favorável à gasolina, o analista de investimentos, Rafael Regolin, disse confiar no cálculo. A questão do desempenho do motor é também outro aspecto questionado pelos especialistas. O INEE – Instituto Nacional de Eficiência Energética – tem alertado o Governo Federal que o álcool permite um desempenho melhor que o da gasolina. Mas esse potencial não tem sido explorado pela indústria automobilística.
No Brasil, apesar de quase 5 milhões de carros serem abastecidos apenas com Etanol, a grande maioria é Flex, cujo motor não permite explorar toda a potencialidade do etanol. O diretor geral do INEE, Jayme Buarque de Hollanda, que defende o investimento em carros exclusivamente a etanol, afirma que é o uso eficiente do combustível que deveria definir estar em discussão.
Mas, para incentivar a indústria automobilística a produzir motores movidos apenas a etanol é preciso garantir o abastecimento, o que impacta na cadeia produtiva de setor, como as plantações e as usinas de cana, que muitas vezes transferem o investimento da produção para o açúcar, quando o lucro se torna mais favorável.
Para garantir que os empresários tenham mais segurança em investir no setor seria necessária uma política enérgica mais consistente no País, de acordo com o Presidente do INEE, Marcos José Marques. Diante de tantas possibilidades oferecidas pelo Etanol, soma-se ainda a questão ambiental. Não é novidade para ninguém que o Etanol é um combustível limpo, que emite mesmos poluentes.
Mas, o que muita gente não sabe é que o setor tem se adiantado ao prazo estipulado pela Lei Estadual que proíbe o uso de queimadas em plantações de cana, como explica o Consultor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Alfred Szwarc. O Brasil chegou a ser o único país do mundo onde o etanol combustível era produzido e distribuído. Hoje, o país responde por apenas um quarto da produção mundial.