Uma força-tarefa da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Secretaria de Previdência cumpriu 10 mandados em Campinas. Entre eles, sete de condução coercitiva contra suspeitos de participação no esquema. A Operação Emprego Inseguro ainda cumpriu outros três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a dois escritórios da cidade – um de contabilidade e outro de advocacia. As investigações duraram dois anos.
O trabalho conjunto foi iniciado depois da denúncia de um empresário em 2015. Ele recebeu a notificação de aposentadoria por invalidez de uma funcionária, mas a mulher não trabalhava no local e por isso ele procurou as autoridades. A delegada da Polícia Federal de Campinas, Estela Beraquet, conta que todos os benefícios foram cortados assim que as apurações identificaram as fraudes, mas relata que a organização criminosa chegou a tentar reverter isso na Justiça.
Todas as empresas usadas eram clientes do escritório de contabilidade envolvido, mas a princípio não sabiam do esquema. Já os nomes que recebiam os benefícios seriam “laranjas” e possivelmente recebiam uma parte dos valores. A atuação dos fraudadores acontecia em Campinas e região e teria começado através da falsificação de documentos para a obtenção do auxílio-doença. A suspeita é de que a intenção seria migrar para as aposentadorias por invalidez.
Até o momento, cerca de 20 pessoas foram ligadas a essa série de fraudes. Os crimes teriam começado no ano de 2012, mas até o momento os órgãos da força-tarefa não conseguiram calcular o prejuízo total causado a Previdência. Além de associação criminosa, os envolvidos serão acusados de falsificação de documentos, uso de documentos falsos e estelionato. A investigação recebeu o nome de Emprego Inseguro em referência ao vínculo falso de emprego.