Os atendimentos médicos realizados por órgãos públicos ou de saúde suplementar por meio de liminares geram gastos de milhões de reais para os governos e também às empresas prestadoras. Entre 2015 e 2017, a Unimed Campinas desembolsou mais de R$ 27 milhões para cumprir decisões judiciais. Somente no ano passado, a Secretaria de Saúde de Campinas gastou cerca de R$ 6 milhões com procedimentos não programados. O presidente da Unimed Campinas, José Windsor Angelo Rosa, afirma que outros clientes acabam tendo os serviços prejudicados com a judicialização da saúde.
Com a judicialização, o cliente consegue o atendimento via liminar concedida pela Justiça e a prestadora é obrigada a realizar o serviço imediatamente, mesmo que não esteja incluso no plano. Mas o processo costuma se arrastar por anos. Muitas vezes, segundo o presidente da Unimed Campinas, ao final da ação, o paciente e a família são obrigados a gastar uma quantia muito maior do que a de um atendimento comum.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça, em 2016, foram protocolados quase 1 milhão e 200 mil processos de judicialização da saúde em todo o Brasil, praticamente dobrando o número de ações do ano anterior. A maioria das reclamações está relacionada à prestação de serviços médicos e hospitalares e à indisponibilidade de medicamentos, vagas de internação, próteses, órteses e tratamentos que contemplam ou não a lista de serviços e produtos oferecidos pela rede pública e pelas operadoras de planos de saúde reguladas pela Agência Nacional de Saúde.