O cenário visto na Ceasa Campinas na manhã desta terça-feira chegava a impressionar os poucos funcionários que ainda estavam no local. A maioria dos boxes estava fechada e aqueles que insistiram em abrir, já sem preparavam para encerrar as atividades por volta das 9 horas. Nenhuma pessoa circulava pelo local e o confuso tráfego de caminhões, carros e caminhonetes simplesmente não existia.
O reflexo da greve dos caminhoneiros, que chegou ao seu nono dia, era evidente e as atividades na Ceasa praticamente deixaram de existir. Há 20 anos trabalhando no mercado de frutas e hortaliças, Farinace de Abreu disse que nunca viu o local desse jeito. Luis Augusto disse que estava sem mercadorias e por isso dispensou os funcionários e fechou o box mais cedo. Advan Sá de Alves também disse que é a primeira vez que presencia uma situação tão inusitada no mercado da Ceasa, que costuma ter uma grande circulação de pessoas e mercadorias no período da manhã.
A retomada da normalidade no abastecimento na Ceasa Campinas deverá levar até cinco dias, após o fim da greve dos caminhoneiros, segundo avaliação do diretor técnico-operacional do entreposto, Claudinei Barbosa. Até o momento, cerca de 18 mil toneladas deixaram de ser comercializadas na Ceasa Campinas desde o início da greve, o que corresponde a um prejuízo estimado de cerca de R$ 30 milhões. A disponibilidade de produtos no Mercado de Hortifrútis chegou a 5% nesta terça-feira e, no Mercado de Flores, a 20%.