O sistema de saúde pública de Campinas passa por um momento crítico, com a falta de investimentos e de contratação de profissionais, problemas administrativos e casos de corrupção. O resultado disso tudo se resume nas enormes filas nos hospitais e postos de saúde, falta de medicamentos e até mesmo falta de materiais para a realização de exames simples, como urina e fezes. Agora, os problemas das Unidades de Pronto Atendimento vieram a tona, com um verdadeiro jogo de empurra entre a administração municipal e o Governo Federal.
O prefeito Jonas Donizette e o Secretário de Saúde, Carmino de Souza, reclamaram na última sexta-feira, que a União não faz o repasse necessário para as UPAs. Já o Ministério da Saúde rebateu dizendo que cabe a prefeitura atender as exigências para conseguir os recursos. As duas Unidades 24 horas de Campinas, no São José e no Campo Grande, sentem os reflexos dos problemas administrativos e quem sofre na pele são as pessoas que precisam de atendimento. Josiane Gonçalves acompanhava a mãe na Upa Campo Grande nesta terça-feira e disse que a demora no atendimento era grande, por causa da falta de médicos. Lucas Teixeira também levou a mãe para a UPA e teve que aguardar várias horas para conseguir ser atendido.
O problema da superlotação nas UPAs de Campinas poderia ser minimizado caso a unidade do bairro Carlos Lourenço começasse a funcionar. O prédio está pronto desde o ano passado e permanece fechado, mesmo com a promessa do prefeito Jonas Donizette de que o local seria inaugurado neste ano. Há ainda os problemas no Hospital Ouro Verde, alvo de investigação do Ministério Público sobre um esquema de corrupção de desviou R$ 4,5 milhões da unidade. A presidente do conselho municipal de saúde, Haydée Lima, afirma que todos esses fatos mostram que a saúde pública de Campinas está em colapso.
Em nota, a prefeitura de Campinas informou que as três Unidades de Pronto Atendimento de da cidade trabalham com classificação de risco, priorizando os casos de urgência e emergência, que são atendidos imediatamente. Nesta terça-feira, as UPAs São José e Anchieta estavam com as escalas de equipes completas e o tempo de espera para casos mais simples, que não apresentam risco era de cerca de 1 hora e 1h30 respectivamente. No PA Campo Grande, três médicos estavam atendendo na porta do Pronto-Socorro. Outros dois médicos que deveriam compor a equipe se ausentaram por problemas de saúde. Desta forma, no período da manhã, o tempo de espera ficou em torno de 4 horas, o que é aceitável pela OMS.