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Troca de experiências entre pais aumenta esperança de quem tem gravidez de risco

Ninguém pede para nascer. A criança não escolhe o pai e a mãe e não conhece a situação familiar e econômica do mundo em que vai chegar. Mas ela não

Troca de experiências entre pais aumenta esperança de quem tem gravidez de risco
Foto: Marco Guarizzo

Ninguém pede para nascer. A criança não escolhe o pai e a mãe e não conhece a situação familiar e econômica do mundo em que vai chegar. Mas ela não pode nascer sozinha. Por isso, muitas vezes a luz do mundo pode ser uma aventura para o bebê, mesmo que isso não dependa dele.  A evolução da medicina ajuda a que cada novo movimento possa ser acompanhando desde a confirmação da gravidez. Quem vai ter um filho se emociona ao ouvir a batida do coração ainda dentro da barriga da mãe.

É o caso da enfermeira Carla Simon Mendes, de 39 anos. Casada há 13 anos, ela teve um filho prematuro, nascido com 7 meses de gestação, mas que não resistiu. Com mais um bebê na barriga, ela se emociona a cada exame de ultrassom.

Enquanto o bebê não vem, os nove meses de uma gravidez convencional são vividos de maneiras distintas, principalmente pela mãe. A condição social não é barreira para que o acompanhamento seja adequado. O Hospital PUC-Campinas oferece cursos gratuitos para gestantes desde 2006. Os anjos da guarda são os obstetras da unidade. A ideia surgiu após as médicas conviverem com a dor das mães que perderam os filhos antes do nascimento. A ginecologista e obstetra Mariane Barbieri conta algumas experiências vividas pelos futuros pais.

Campinas tem a segunda menor taxa de mortalidade infantil do Estado de São Paulo. Segundo dados da Fundação Seade, a cada mil crianças nascidas, 4,4 não sobreviveram em 2017. Na região, em uma década, o índice caiu de 14,16 para 9,14, atrás apenas da região de São José do Rio Preto. O número representa qualidade de vida e do atendimento na área da Saúde, que consegue evitar mortes, como explica a chefe de divisão de produção de indicadores demográficos da Fundação Seade, Mônica La Porte.

Para a coordenadora da saúde da criança e do adolescente de Campinas, Tânia Marcucci, a infraestrutura da cidade para o acompanhamento da gravidez é boa, com atendimento espalhado pelos bairros.

Mas, apesar de todos os cuidados, os números são frios. A dor de uma família que perde um filho no nascimento é incalculável, diferentemente das estatísticas.  A perda fez a mãe pensar que não teria uma família completa, na visão dela.

Enquanto algumas mães sofrem a perda da vida de um filho, outras querem o direito de escolher se o bebê vai nascer ou não. O aborto é tema de discussão há décadas, mas a polêmica nunca deixa de existir. Na Argentina, em atrássto de 2018, o senado do país rejeitou a legalização da prática por 38 votos a 31. Enquanto ativistas apoiavam a decisão, grupos pró-aborto também foram às ruas pedir o direito à interrupção da gravidez. O presidente do país, Maurício Macri, ficou em cima do muro, se dizendo a favor da vida e dos debates sobre ela.

Nesse mesmo momento em que aborto é discutido, Carla tenta mais uma vez trazer uma vida ao mundo. Ela prefere não criticar quem opta pela interrupção da gravidez, mas alimenta a esperança de conseguir ser mãe, mesmo depois da tristeza que já viveu ao perder o primeiro filho.

O curso para gestantes é gratuito, mas a procura não vem somente das famílias que não têm condições de fazer o acompanhamento com médicos particulares. O convívio entre diversas famílias traz um conforto para quem espera pelo filho. A médica Mariana Barbieri conta que a troca de experiências conseguiu convencer casais a evitarem o aborto.

A atividade já faz Carla se sentir mãe enquanto ainda espera pela chegada do bebê. Segundo ela, o marido, Marcos, também se emocionar ao se imaginar pai.

Carolina ou Marcos ainda está dentro da barriga, mas já tem nome, mesmo que Carla e o marido ainda não saibam o sexo da criança. O quarto preparado para Daniel, que não pôde viver nesse mundo, vai receber algumas alterações. Por causa de uma trombofilia, a chance de o bebê nascer é 70%, segundo os médicos que a acompanham. Mas para ela, é esperança de ver o filho nascer e crescer com saúde é de 100%.

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