A tarde desta quarta-feira foi agitada nos corredores da Câmara de Campinas. Primeiro, o vereador do Podemos, Nelson Hossri, protocolou na Casa um requerimento com 13 assinaturas pedindo a abertura de uma CPI para investigar possíveis desvios de verbas destinadas à merenda escolar em Campinas. O mínimo necessário era de 11 assinaturas.
Um pouco depois, segundo informações do próprio vereador, ele recebeu uma carta de quatro vereadores solicitando a retirada das assinaturas. O documento era assinado por Gilberto Vermelho (PSDB), Edison Ribeiro (PSL), Cidão Santos (Pros) e Jorge Schneider (PTB).
Segundo Hossri, a ordem veio do Prefeito Jonas Donizette (PSB) via líder de governo na Câmara, Marcos Bernardelli
Hossri disse que vai à Justiça porque entende que o protocolo da Câmara deveria ter aceitado a protocolização do pedido
O pedido se baseia em uma denúncia apresentada na última segunda-feira pelo Ministério Público Federal contra o prefeito de Campinas. Além de Jonas, também foram denunciados pelo MPF o ex-prefeito, Pedro Serafim Junior (PRB), antecessor de Jonas, e servidores municipais.
A acusação contra Jonas é de desvios de verbas oriundas do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Esta verba só poderia ser utilizada na aquisição de alimentos produzidos na modalidade de agricultura familiar, para serem utilizados na merenda escolar. O esquema teria superfaturado dois contratos em pouco mais de R$ 1,2 milhão, valor que teria sido desviado, e depois passado por um esquema de lavagem de dinheiro.
O executivo municipal foi procurado e em nota, a prefeitura disse que não houve nenhuma pressão e que o assunto é interno da Câmara.
A assessoria da Câmara contestou a informação dada pelo vereador Nelson Hossri e afirmou que o vereador não chegou a protocolar o requerimento. Ele foi impedido de protocolar quando chegou ao setor justamente porque havia um documento protocolado pelos vereadores, na noite da última segunda-feira, retirando as assinaturas.